Adultos que foram crianças desobedientes tendem à violência e ao abuso de drogas

foto: Internet

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Publicado por Livraria da Folha

Educação começa em casa. Pode ser um chavão, mas é por meio das relações familiares que as crianças aprendem de que maneira agir em sociedade, reproduzindo essas experiências nas escolas e nos relacionamentos futuros.

Casos constantes e intensos de desobediência podem se transformar numa doença comum em crianças e adolescentes: o transtorno desafiador opositivo. Ao se deparar com ocorrências dessa natureza, poucos pais e professores conseguem reverter o quadro.

“No transtorno desafiador opositivo nos deparamos com crianças que apresentam sintomas severos, provocando graves prejuízos em sua vida acadêmica e social e interferindo muito no relacionamento com membros da família”, conta Gustavo Teixeira em “O Reizinho da Casa”.

Gustavo Teixeira lembra que, quanto mais precoce for a intervenção de pais, professores e profissionais da saúde, além de facilitar o início do tratamento, melhores são os resultados.

“É muito importante ressaltar que o transtorno desafiador opositivo é muito mais do que aquela ‘birra’ ou desafio típico de uma criança, que seria, na verdade, uma simples reação contextual de oposição”, diz. “Devemos entender também que um comportamento opositivo temporário é comum, fazendo parte do desenvolvimento normal da criança, tendo inclusive um aumento natural durante a adolescência”.

Segundo Teixeira, “o início do uso abusivo de álcool e outras drogas merece especial atenção nesses casos, pois os conflitos familiares gerados pelos sintomas do transtorno, comportamentos de oposição e de desafio podem facilitar o envolvimento problemático com essas substâncias no futuro”.

“Com frequência, essas crianças e adolescentes têm baixa autoestima e baixa tolerância às frustrações, humor deprimido, ataques de raiva e poucos amigos, pois costumam ser rejeitados pelos colegas por causa de seu comportamento impulsivo, opositor e de desafio às regras sociais do grupo”.

Com o subtítulo “Manual para Pais de Crianças Opositivas, Desafiadoras e Desobedientes”, o livro “O Reizinho da Casa” apresenta técnicas, com exemplos de casos clínicos, para lidar com esses comportamentos.

Gustavo Teixeira é graduado pela South High School, mestre em educação pela Framingham State University e membro da American Academy of Child and Adolescent Psychiatry. Ele também assina “Manual Antibullying”, “Desatentos e Hiperativos” e “Manual dos Transtornos Escolares”.

Abaixo, leia os critérios diagnósticos segundo o “Manual Diagnóstico Estatístico dos Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria” (“American Psychiatry Association”) para o transtorno desafiador opositivo.

A. Um padrão de comportamento negativista, hostil e desafiador que dure pelo menos 6 meses, durante os quais 4 (ou mais) das seguintes características estão presentes:

(1) frequentemente perde a paciência

(2) frequentemente discute com adultos

(3) com frequência desafia ou se recusa ativamente a obedecer a solicitações ou regras dos adultos

(4) frequentemente perturba as pessoas de forma deliberada

(5) frequentemente responsabiliza os outros por seus erros ou mau comportamento

(6) mostra-se frequentemente suscetível ou é aborrecido com facilidade pelos outros

(7) está frequentemente enraivecido e ressentido

(8) está frequentemente rancoroso ou vingativo

Obs.: Considerar o critério satisfeito apenas se o comportamento ocorre com maior frequência do que se observa tipicamente em indivíduos de idade e nível de desenvolvimento comparáveis.

B. A perturbação do comportamento causa prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, acadêmico ou ocupacional.

C. Os comportamentos não ocorrem exclusivamente durante o curso de um transtorno psicótico ou transtorno do humor.

D. Não são satisfeitos os critérios para transtorno da conduta e, se o indivíduo tem 18 anos ou mais, não são satisfeitos os critérios para transtorno da personalidade antissocial.

Comentários

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1 Comentário

  1. Vagner disse:

    Observo que hoje em dia os pais mostram-se omissos em demasia na questão do exercício de autoridade na educação dos “pimpolhos”. É necessário amor sim , mas temperado com rigor e firmeza na hora de corrigir os excessos cometidos pelas crianças.

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