Pesquisa mostra distância entre cotidiano de fiéis e preceitos da Igreja Católica

Fiéis alemães e suíços divergem de regras católicas sobre sexo, divórcio e homossexualidade

O Papa Francisco escuta uma confissão durante a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro (foto: REUTERS-26-6-2013)

O Papa Francisco escuta uma confissão durante a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro (foto: REUTERS-26-6-2013)

Publicado em O Globo

BERLIM Quando veio ao Rio de Janeiro no ano passado para a Jornada Mundial da Juventude, o Papa Francisco falou a bispos brasileiros sobre “o mistério difícil das pessoas que abandonam a Igreja”. Entre os possíveis motivos para tanto, o Pontífice apontou: “Talvez lhes pareça que o mundo fez da Igreja uma relíquia do passado, insuficiente para as novas questões”. Nesta semana, pesquisas divulgadas pela conferências de bispos de Alemanha e Suíça mostraram que, mesmo entre os que permanecem fiéis à religião, as posições da instituição sobre divórcio, sexo e homossexualidade estão distantes do que a maioria do rebanho destes países pensa sobre estes assuntos.

Na Suíça, 90% dos fiéis entrevistados opinaram que divorciados e pessoas que se casaram mais de uma vez deveriam ter direito aos sacramentos. Para 60%, a Igreja deveria reconhecer e abençoar casais do mesmo sexo. O levantamento também mostra uma “dramática discordância” sobre o uso de métodos anticoncepcionais, largamente apoiado pelos católicos suíços, para os quais a Igreja deveria “parar de atribuir valores absolutos a certas normas e diretivas”, diz o relatório dos bispos locais. Por outro lado, 80% consideram importante casar na Igreja, e 97% querem que crianças tenham educação religiosa.

Na Alemanha, o recado dos católicos não foi muito diferente. Segundo o relatório dos bispos do país, “a maioria dos batizados tem uma imagem da Igreja como amigável à família, mas ao mesmo tempo considera irreal a moralidade sexual” da instituição. O documento diz também que, enquanto a maioria dos católicos adere ao matrimônio “na expectativa de ter um vínculo para o resto da vida”, as regras da Igreja sobre sexo antes do casamento (“entre 90% e 100% dos casais que querem se casar na Igreja já vivem juntos”, atestam os bispos), homossexualidade, métodos anticoncepcionais e pessoas divorciadas e casadas novamente “são virtualmente nunca aceitas, ou expressamente rejeitadas na vasta maioria dos casos.”

As posições dos fiéis vieram em resposta a um questionário de 38 perguntas elaborado pelo Vaticano como documento preparatório para o Sínodo dos Bispos sobre a Família, marcado para outubro, e enviado às conferências episcopais ao redor do mundo. No Brasil, as dioceses e arquidioceses tiveram até 20 de janeiro para enviar suas informações à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Uma comissão deverá ser formada no órgão para compilar os dados. Segundo a CNBB, os responsáveis por este trabalho voltaram de férias na última sexta-feira, e por isso até ontem não havia resultado concreto do trabalho. (Com Flávio Freire, de São Paulo)

dica do Ailsom Heringer

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