Após polêmica, retorno de frei a missa em BH faz número de fiéis dobrar

Faltou lugar para todo mundo que quis assistir à missa do frei Cláudio van Balen neste domingo (9) (foto: Carlos Eduardo Cherem/UOL)

Faltou lugar para todo mundo que quis assistir à missa do frei Cláudio van Balen neste domingo (9) (foto: Carlos Eduardo Cherem/UOL)

Carlos Eduardo Cherem, no UOL

Cerca de 2.000 pessoas assistiram à missa celebrada às 11h deste domingo (9) pelo frei Cláudio van Balen, 81, na Igreja Nossa Senhora do Carmo, zona sul de Belo Horizonte. O frei, ligado à ala mais progressista da Igreja Católica e defensor da Teologia da Libertação –e que há cinco décadas celebra a missa nesse horário–, havia sido afastado em janeiro pela Arquidiocese de Belo Horizonte e Província Carmelita de Santo Elias, mas retornou à função após pressão dos fiéis.

A presença de 2.000 pessoas na missa representa o dobro do público que normalmente frequentava as celebrações das 11h de domingo na igreja. O templo, que tem capacidade para 800 pessoas sentadas, foi tomado fiéis que acabaram ocupando espaços laterais e parte do altar, e dezenas de pessoas ficaram do lado de fora da igreja.

Depois que o sinete do altar tocou três vezes, frei Cláudio van Balen entrou e foi aplaudido com entusiasmo pelos fiéis –alguns choravam. O frei, então, levantou a mão direita pedindo silêncio, e a missa pode começar. Balen nada falou sobre seu afastamento.

“Em nome do pai, amém. Excluídos sejam incluídos, pela nossa prática do bem. É missão de todos a convivência transformadora”, disse o frei no rito inicial. “Apegados ao poder, maltratamos irmãos”, continuou.

Após o afastamento do frei, a missa das 11h do dia 26 de janeiro (um domingo) foi tomada por uma manifestação de fiéis, que protestavam contra a saída do religioso. As cerca de mil pessoas que tinham ido assistir à missa impediram que ela fosse realizada pelos freis Evaldo Xavier, 47, e Wilson Fernandes, 31, que assumiu a paróquia no início do ano.

Após o episódio, a Arquidiocese e a Província Carmelita proibiram as missas do frei e fecharam a igreja, mas os fiéis compareceram ao local no último domingo (2), entoaram cânticos católicos, rezaram e protestaram contra a ausência do frei. Foi então que, na segunda-feira (3), a Arquidiocese e a Província Carmelita voltaram atrás e anunciaram o retorno do frei.

Emoção

A estudante Silvia Couto Gonçalves de Souza, 26, aluna da escola da Apae (Associação de Pais e Amigo dos Excepcionais) de Lagoa Santa, na região metropolitana de Belo Horizonte, sentou-se ao pé do altar para assistir à celebração, mas rezou pouco: Silvia chorou durante toda a celebração. Olhava para o frei, abaixava a cabeça, e chorava.

“Ela gosta muito do frei Cláudio. Já se acostumou com ele”, disse a mãe de Silvia.

A médica geriatra Diana Carvalho Ferreira, 33, rezou acompanhou a missa do lado de fora da igreja. Ao lado do filho Raul, que no sábado (8) completou um mês de idade, ela disse que a missa era “especial”.

“Não poderia ficar com ele lá dentro, cheio do jeito que está. Ele ainda não foi batizado, mas fiz questão de trazer. Essa missa é especial. O frei Cláudio explica bem a religião na prática, no dia a dia, na nossa vida. A gente consegue colocar os ensinamentos religiosos em prática.”

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