Restauro de esculturas em santuário português gera críticas e piadas

No Facebook, obra é comparada à pintura da espanhola Cecília Giménez.
‘O resultado final enche-me de orgulho’, garante professor responsável.

Publicado no G1

Esculturas restauradas na Capela dos Apóstolos do Santuário da Nossa Senhora das Preces, em Portugal (Foto: Reprodução/Público.pt)

Esculturas restauradas na Capela dos Apóstolos
do Santuário da Nossa Senhora das Preces,
em Portugal (Foto: Reprodução/Público.pt)

As restaurações feitas em esculturas de Jesus e seus apóstolos em um santuário português estão sendo alvo de críticas e protestos de historiadores e restauradores profissionais. As alterações têm sido comparadas à obra de Cecilia Giménez, a idosa espanhola que se tornou mundialmente conhecida em 2012 ao criar a “pior restauração do mundo”, após tentar recuperar uma pintura de Jesus no santuário de Nossa Senhora da Misericórdia de Borja, em Zaragoza.

Na Capela dos Apóstolos do Santuário da Nossa Senhora das Preces, que fica na Aldeia da Dez, o trabalho foi realizado por alunos da disciplina de Museologia, Conservação e Restauro, da Universidade do Tempo Livre da Associação Nacional de Apoio ao Idoso de Coimbra, sob orientação do professor João Miguel Vieira Duque.

De acordo com a agência de notícias Lusa, a restauração das imagens aconteceu em 2007, mas só agora o caso ganhou repercussão. Após a criação, no último sábado (15), de uma página no Facebook chamada “Fórum de conservadores-restauradores denuncia crime patrimonial”, na qual foram publicadas fotos das esculturas e críticas ao trabalho, dezenas de seguidores passaram a comparar o caso ao de “Dona Cecília”, como Giménez ficou mais conhecida.

Mas, ainda segundo a agência Lusa, tanto o professor quanto os administradores do santuário se dizem satisfeitos com o resultado do trabalho, feito em esculturas em tamanho natural, datadas do século 19, que representam a Santa Ceia.

“O resultado final enche-me de orgulho”, afirmou Duque à agência, ressaltando que em 22 anos de carreira nunca havia recebido críticas semelhantes. De acordo com o professor, seus alunos participaram de todas as fases, mas a responsabilidade sobre o trabalho foi assumida por ele.

Já o tesoureiro da Irmandade da Nossa Senhora das Preces, entidade que administra o santuário, Basílio Martins, disse que o espaço tem 60 esculturas, todas com problemas de conservação. “Os próprios peregrinos dizem que é uma pena o resto do santuário não estar assim”, garantiu, ao afirmar estar satisfeito com o trabalho, que custou cerca de 10 mil euros. “Estava tudo estragado, com rachaduras, esculturas sem dedos e sem olhos”, justificou.

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