Mosteiro americano troca produção de geleia por cerveja para se sustentar

A chamada cerveja trapista é feita por monges de abadia nos EUA.
São necessários 37 dias para produzir a bebida com 6,5% de álcool.

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título original: Mosteiro americano produz uma das melhores cervejas de todo o mundo

Júlio Mosquera, no Jornal da Globo

Um mosteiro americano é o primeiro fora da Europa a produzir as exclusivas e famosas cervejas trapistas, que, para muitos especialistas, são as melhores do mundo. A equipe de reportagem foi conhecer essa tradição medieval.

A Abadia de São José fica em um recanto frio e isolado do estado de Massachusets. O lugar espelha a austeridade dos monges trapistas dedicados a uma vida de renúncia, silêncio e oração. Mas há ali uma construção que destoa de todo o cenário de recolhimento: linhas modernas, paredes envidraçadas, alta tecnologia e equipamentos trabalhando a todo vapor. É o prédio da cervejaria Spencer.

Mas o que uma fábrica de cerveja tem a ver com monges que acordam às 3h10 da manhã e se recolhem às 20h? “Por volta do ano 2000, nos demos conta que precisávamos encontrar uma nova fonte de sustento”, explica o monge Isac.

O dinheiro recolhido com a venda de compotas e geleias já não era suficiente. Por isso, Isac foi à Bélgica aprender a fazer a genuína cerveja dos monges trapistas, um produto exclusivo de oito mosteiros europeus.

Os monges americanos pegaram um empréstimo bancário para iniciar o negócio em dezembro do ano passado. Eles até desenharam uma taça sob medida para tirar o maior prazer da cerveja. Foram 24 tentativas até chegar à fórmula de sucesso, que é hoje um dos segredos mais bem guardados do monastério.

Ao todo, são necessários 37 dias para produzir a cerveja que tem 6,5% de álcool, o dobro de uma cerveja comum produzida no Brasil. O sabor é marcante, tem um acento frutado, mas deixa na boca um gosto levemente amargo.

Por enquanto, quem quiser tomar a cerveja produzida pelos monges trapistas nos Estados Unidos, terá que visitar o estado de Massachussetes. A produção não dá para atender a demanda. São produzidas 4.000 cervejas por semana, previamentes compradas. Os monges são proibidos de trabalhar pelo lucro e há um compromisso de qualidade assinado com a Associação Internacional Trapista. “Nós queremos ter certeza de que, se aumentarmos a produção, vamos ser capazes de fazer isso da melhor maneira possível”, diz o abade responsável pela fabricação.

Cada monge só pode consumir a cerveja aos domingos. “Talvez, um dia, o abade permita a gente beber com mais frequência”, sonha Isac, que também justifica a bebida do ponto de vista religioso. “É uma maneira de louvar a Deus e tornar o mundo um lugar melhor para se viver”.

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