Primeiro grande longa evangélico nacional tenta repetir sucesso gospel

Tuca Andrada como uma versão contemporânea do profeta Elias em cena do filme (foto: Divulgação)

Tuca Andrada como uma versão contemporânea do profeta Elias em cena do filme (foto: Divulgação)

Guilherme Genestreti, na Folha de S.Paulo

Em vez do deserto bíblico, o cenário é a caatinga pernambucana. O profeta Elias vira um pregador do sertão; Eliseu, o que faz a água brotar das terras secas, é um engenheiro atuando na transposição do rio São Francisco.

A trama de “A Palavra” é a aposta para levar fiéis evangélicos às salas de cinema.

O precedente é favorável: em 2012, “Três Histórias, Um Destino”, coprodução Brasil-EUA baseada em livro do pastor R.R. Soares, fez R$ 530 mil de bilheteria só nos primeiros três dias de exibição. Foi visto por 288 mil pessoas.

A empreitada, com estreia prevista para o segundo semestre, juntou uma advogada que nunca havia atuado como produtora, um cineasta ateu que iniciou em pornochanchadas e um elenco global com Tuca Andrada, Oscar Magrini e Luciano Szafir.

“Tem muito filme evangélico importado, muita coisa amadora, mas nada 100% brasileiro”, diz a advogada pernambucana Zitah Oliveira, 45, evangélica, que criou a produtora Anjoluz para tocar o longa.

Frequentadora da Assembleia de Deus, Zitah diz ter contado com a ajuda de fiéis de várias igrejas para filmar. “Não tem uma bandeira, é um filme feito por evangélicos.”

Dirigido, no entanto, por alguém estranho ao meio: o cineasta paulista Guilherme de Almeida Prado (“A Dama do Cine Shanghai”, “Perfume de Gardênia”). “Meu último projeto tinha sido um fiasco de bilheteria. Não estava fazendo nada, aceitei o convite”, diz ele, responsável também pelo roteiro.

“Me deram total liberdade. Só pediram para que fosse sobre os profetas do Velho Testamento”, diz Almeida Prado. Seu último filme, “Onde Andará Dulce Veiga?”, é de 2008.

O diretor escalou parte da equipe técnica. No elenco, chamou Magrini para fazer o papel de um político corrupto, inimigo do engenheiro Eliseu (Tuca Andrada, que também interpreta Elias).

O filme está orçado em R$ 2,3 milhões. “Não tem igreja financiando, mas quem tinha mercadinho contribuiu com alimento, quem tinha equipamento emprestou”, diz Zitah.

A bilheteria de shows gospel, organizados pela produtora, ajudou a bancar custos.

“A comunidade evangélica é forte na música e na TV, mas falta gente especializada em cinema, em geral feito por gente da classe média-alta”, diz Ricardo Mariano, professor de sociologia e pesquisador do tema.

ENSAIO

Segundo Mariano, “A Palavra” é um “ensaio” para testar a fidelidade desse público, “não muito habituado a frequentar salas de cinema”.

Ele afirma, contudo, que o cinema evangélico pode repetir o sucesso do espírita. Em 2010, os longas “Chico Xavier” e “Nosso Lar” somaram quase 8 milhões de brasileiros à salas de exibição.

“Envolveu muita gente que não estava acostumada a ir ao cinema”, diz Mariano.

A Graça Filmes, maior distribuidora de filmes evangélicos do país, espera repetir o feito de “Três Histórias, Um Destino”, que ela produziu.

A empresa, ligada ao pastor R. R. Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus, tem dois projetos engatados: a coprodução “Redeem” ( “redenção”), prevista para 2015, e uma cinebiografia do músico gospel Thalles Roberto.

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