Todos podem ser heróis

Jornalista americana investiga em livro as bases científicas do altruísmo

imagem: Elias Silveira/Editora Globo

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Tiago Cordeiro, na Galileu

Quando o paraquedas de Dave Hartsock não abriu durante um salto duplo, o instrutor texano usou seu corpo para proteger Shirley Dygert e absorveu o impacto da queda. Ficou paralisado da cintura para baixo para salvar uma estranha. Foi para investigar esse tipo de comportamento que a jornalista americana Elizabeth Svoboda escreveu WhatMakes a Hero (O que faz um herói, sem tradução), lançado em agosto. “Uma comunidade que não tem heróis está condenada ao fracasso”, afirma ela, que buscou as bases científicas do heroísmo.

Entre os levantamentos mostrados no livro está um estudo do Max Planck Institute, da Alemanha, que revelou que crianças são capazes de projetar em si o risco que outros sofrem. Além disso, realizar atos altruístas movimenta as mesmas áreas ativadas pelo prazer. E contagia: os cientistas sociais James Fowler e Nicholas Christakis mostraram que os efeitos positivos das boas ações podem durar por até quatro horas. “A capacidade de se colocar no lugar do outro ajuda a explicar como os seres humanos se tornaram capazes de viver em ambientes tão diferentes entre si, da floresta amazônica ao Alasca”, afirma por e-mail o psicólogo Rob Boyd, da Arizona StateUniversity.

Mas e o heroísmo? “Ele pode ser ensinado. Todos temos potencial para nos tornarmos heróis, só precisamos praticar”, afirma Svoboda. É este o objetivo de Philip Zimbardo. O psicólogo e professor emérito da Universidade Stanford lançou em 2011 o HeroicImagination Project, para treinar estudantes a ajudar outros em situações como o bullying. “Muitos heróis fazem um grande volume de sacrifícios diários, sem esperar nada em troca, nem mesmo reconhecimento. Ajudar pessoas é o que elas fazem da vida”, diz Svoboda.

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