Empresa farmacêutica nega remédio a menino entre a vida e a morte

Internado na UTI de um hospital dos EUA, Josh Hardy, de 7 anos, é vítima de um vírus cruel. Para continuar vivo, ele precisa de um medicamento que ainda está em fase de tratamento. Remédio custaria US$ 50 mil à companhia

Publicado na revista Época

A família de Josh luta para que a empresa farmacêutica aceite fornecer o remédio (Foto: Reprodução /Facebook)

A família de Josh luta para que a empresa farmacêutica aceite fornecer o remédio (Foto: Reprodução /Facebook)

Aos nove meses, Josh Hardy foi diagnosticado com um grave câncer renal. Com o passar dos anos, o tumor se espalhou e atingiu seu pulmão e medula óssea. Com a imunidade baixa, Josh contraiu, em fevereiro deste ano, um vírus cruel do tipo Adenovirus. Hoje, aos sete anos, ele está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital infantil de Memphis, no Tennesse, Estados Unidos. Lá, sua rotina é árdua. Ao menos uma vez, a cada hora, vomita sangue.

A pouco mais de mil quilômetros dali, em Durham, na Carolina do Norte, a empresa farmacêutica Chimerix desenvolveu um medicamento capaz de ajudar o garoto. Apesar de estar em fase de testes, a solução oral da droga, chamada de brincidofovir, ainda não foi aprovada para a comercialização. Por isso, empresa se nega a fornecê-la à família de Josh.

O presidente da empresa, Kenneth Moch, diz que ao entregar o remédio a Josh e outras crianças na mesma situação, iria retardar a entrada do remédio no mercado – o que, na prática, atrasaria o tratamento de outros tantos doentes no futuro. Como os planos de saúde não cobrem esse tipo de tratamento (com drogas em fase de experimento), a Chimerix estima que entregar a droga custaria cerca de US$ 50 mil, por paciente. “Se dermos o remédio a Josh, teremos de entregar também a todos os outros doentes que já nos fizeram o pedido antes. O ‘sim’ ou ‘não’ deve ser igual para todos”, diz Moch. Se não entregar a solução oral do brincidofovir aos doentes, o medicamento deve estar disponível à população em 2016. Se o fizer, a empresa não terá sequer uma previsão de quando ele chegará às prateleiras das farmácias.

Josh em diversos momentos. Atualmente, ele está internado em um hospital de Memphis, à espera de tratamento adequado (Foto: Reprodução /Facebook)

Josh em diversos momentos. Atualmente, ele está internado em um hospital de Memphis, à espera de tratamento adequado (Foto: Reprodução /Facebook)

A legislação americana permite que em casos de pacientes com doenças graves, que já tentaram diversos tratamentos (sem sucesso), as empresas farmacêuticas podem fornecer drogas em fases de testes em andamento. Na prática, a maioria delas diz não às famílias. Assim como o fez Kenneth Moch.

Em entrevista à rede americana CNN, ele diz que se sentiria “horrível” se soubesse que Josh morreu pela falta do remédio. Mesmo correndo esse risco, ele diz que não irá voltar atrás em sua decisão.

“Meu filho está morrendo. Ele vai morrer se não conseguir esse medicamento a tempo”, afirma Todd Hardy, o pai de Josh. Para tentar convencer a empresa, a família do garoto expôs seu drama à mídia e iniciou campanhas nas redes sociais. No Facebook, a campanha “Save Josh” já acumula quase 16 mil adeptos. “Nós estamos implorando para que eles nos forneçam o remédio”, diz Josh. Os médicos de Josh estão confiantes de que o garoto poderá ser curado se tiver o medicamento. Será que a empresa vai voltar atrás?

Comentários

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1 Comentário

  1. Mayara Prado disse:

    É fácil falar, fácil pensar objetivamente, mas o fato é que o garoto não é filho de ninguém aqui, tem gente aqui que fala que preferia morrer pra que o remédio fosse colocado no mercado mais rápido e salvasse mais vidas, mas aposto que um garotinho de 7 anos não pensa assim… Não importa o que falem, nem quão objetivos sejam, isso envolve sentimentos antes de qualquer coisa e é muito cruel pensarem dessa forma.

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