A nova Grande Mídia: a ecologia midialivrista brasileira no Facebook

GRANDEMIDIA

 

Por Fábio Malini, no Labic

É só uma pensata. Um provocação. Criei uma fanpage no Facebook. E há meses tenho curtido os sites que se destacam no relato dos protestos brasileiros lá no Facebook. Apliquei o aplicativo do Face chamado Netvizz, que identifica a rede de páginas de uma fanpage. Selecionei 300 canais do Facebook que divulgam informações midialivristas. E o que o Netvizz fez foi identificar as fanpages que cada um desses canais curtem.

Assim, consegui visualizar, se não toda, a quase integralidade da nova Grande Mídia. Essa Grande Mídia chegou para se antagonizar com grande parte dos setores dos veículos de comunicação de massa, mas, principalmente, para construir uma narrativa de dentro das manifestações, disputando o passado com as narrativas tradicionais da imprensa. Essa GRANDE MÍDIA não parece ser dialética, não mais depende de qualquer sistema de comunicação de massa para se constituir.

E a rede já possui a cerca de 15 milhões de usuários. Mas deve ser mais, porque se estes usuários compartilharem apenas um post de uma dessas páginas, o alcance se multiplica.  As páginas são o núcleo da emissão de mensagens no Facebook. E os perfis individuais, as células que ecoam, por meio do compartilhamento, esses conteúdos.

Quando a GRANDE MÍDIA age de modo coordenado (e com forte apoio das células, os perfis) a temperatura política brasileira aquece. Foi o que aconteceu com a divulgação da #GreveDosGAris, que foi uma vitória importante do midialivrismo brasileiro, que, a cada dia, amadurece a sua produção multimídia (e, é claro, mergulha em contradições, afinal, publicar é um exercício de intencionalidades).

A uma grande parte da velha Grande Mídia se viu desmentida e humilhada pela corrente de verdades circuladas pelas notícias, streaming, depoimentos em primeira mão, dadas pelos garis aos midialivristas.

Acredito que essa rede é o retrato mais interessante da autonomia obtida pela atual geração de midialivristas. Torço para que essa ecologia se complexifique ainda mais. E que fique sempre do lado dos justos. E não custa lembrar: boa parte dos veículos que estão nessa rede se associavam com Pontos de Cultura, de Mídia Livre e todo um conjunto de políticas culturais que foram jogadas no limbo pelo atual governo federal e muitos outros estaduais.

Na ordem, as páginas mais referenciada (com mais grau de entrada) pela rede midialivrista:  MIDIA NINJA, Anonymous Brasil, Anonymous Rio, Black Bloc RJ, Advogados Ativistas, Black Bloc Brasil, Passe Livre SP, Jornal A Nova Democracia, Mães de Maio e Vírus Planetário.

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