Leite com formol é vendido em SP e PR, diz Ministério Público do RS

Felipe Bächtold, na Folha de S.Paulo

Quase 300 mil litros de leite das marcas Líder e Parmalat adulterados com formol estão sendo comercializados em cidades de São Paulo e do Paraná, de acordo com o Ministério Público do Rio Grande do Sul.

A LBR, empresa que comercializa as marcas Parmalat e Líder no país, adquiriu uma carga adulterada, segundo a Promotoria. Caixas da marca Líder foram enviadas para Lobato (PR), e da Parmalat, para Guaratinguetá (SP). A empresa, no entanto, afirma que os lotes já foram retirados do mercado.

Promotores deflagraram nesta sexta-feira (14) uma nova fase de uma operação contra fraudes na fabricação do produto no interior gaúcho. Ações de busca e apreensão ocorreram em oito municípios. Uma pessoa foi presa.

Cooperativas e transportadoras são suspeitas de aplicar formol, uma substância cancerígena, no leite como maneira de aumentar o volume do produto.

Autoridades pediram à empresa LBR que recolhesse o produto com suspeita de fraude dos mercados, o que não foi feito, segundo o promotor Alcindo Luz Bastos.

Fotomontagem
Ministério Público do RS apontam venda de leites das marcas Parmalat e Líder com formol
Ministério Público do RS apontam venda de leites das marcas Parmalat e Líder com formol

O Ministério Público calculou o volume adulterado com base em documentos das empresas, mas não soube informar os números dos lotes com problemas.

Análises feitas em 12 amostras coletadas em fevereiro em uma unidade de resfriamento em Condor (a 380 km de Porto Alegre) apontaram a presença de formol na matéria-prima, segundo a Promotoria. Por isso, foram pedidos mandados de busca e apreensão contra uma série de intermediários que atuam no processamento do produto.

Nesta sexta, foram apreendidos caminhões de empresas suspeitas e mais matéria-prima. Em Condor, foi encontrada soda cáustica em uma unidade de processamento, mas não há confirmação de que a substância tenha sido usada no leite.

Desde que a operação Leite Compen$ado foi deflagrada, em maio de 2013, a polícia cumpriu diversos mandados de prisão e de busca e apreensão no Rio Grande do Sul.

Na fase inicial, o Ministério Público e o Mapa (Ministério da Agricultura) investigaram cinco empresas que realizavam transporte de leite no Estado, suspeitas de adulterar a composição do produto antes de entregá-lo à indústria.

A fraude foi comprovada por meio de análises químicas do leite cru, onde foi possível identificar a presença do formol -que, mesmo depois da pasteurização, persiste no produto final.

Por meio de nota, a LBR Lácteos Brasil, responsável pelas marcas Líder e Parmalat, informa que assim que tomou conhecimento da possível contaminação da matéria-prima utilizada na fabricação de seus produtos, no dia 25 de fevereiro, recolheu preventivamente os lotes de leite UHT do mercado, mesmo sem ter identificado anormalidades “em sucessivos testes realizados”.

“A empresa considera, assim, que cumpriu com todos os procedimentos exigidos pela legislação e observou as cautelas aplicáveis ao caso”, diz a nota. A LBR afirma ainda que realiza permanente controle no recebimento de matéria-prima e em todo o processo produtivo, “seguindo os mais altos padrões de qualidade”.

MALES À SAÚDE

O formol pode provocar danos no aparelho gastrointestinal, e a exposição frequente à substância tem efeito cancerígeno. O Instituto Nacional do Câncer afirma que não há níveis seguros de exposição ao formol, que é associado ao câncer de nasofaringe e leucemia.

Segundo o Ministério da Agricultura, quem bebe leite adulterado não passa mal na hora –os malefícios surgem a longo prazo.

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