Movimento online quer tirar a roupa das mulheres como forma de protestar contra resultado machista de pesquisa

Número de pessoas que estão aceitando participar do protesto online nesta sexta-feira cresce em 100 a cada 5 minutos

A PESQUISA RECÉM-PUBLICADA TEM DADOS ESTARRECEDORES (Foto: Getty Images)

A PESQUISA RECÉM-PUBLICADA TEM DADOS ESTARRECEDORES (Foto: Getty Images)

Graziela Salomão, na Marie Claire

Um estudo divulgado nesta quinta-feira (27) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) traz dados alarmantes. De acordo com o resultado, a maioria da população brasileira acredita que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. Para eles “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”.

A repercussão indignada nas redes foi imediata. Uma página foi criada no Facebook chamando as pessoas para protestarem contra o resultado do estudo. “Você não concorda com isso? Nem eu! Então bora mostrar o corpo pra dizer isso? A ideia é que a gente tire a roupa e se fotografe, da cintura para cima, com um cartaz tampando os seios com os dizeres “Eu também não mereço ser estuprada” e postemos, todas juntas, ao mesmo tempo, online. Quem tá dentro?”.

O protesto online está marcado para esta sexta-feira (28), às 20h. Para a criadora do evento, a jornalista Nana Queiroz, o resultado da pesquisa gerou um sentimento de revolta. “Queria fazer algo a respeito. Queria ficar nua e sair na rua gritando que eu não mereço ser estuprada. Mas acho que isso só teria o feito contrário na sociedade em que vivemos”, afirma.

Aos 28 anos, ela escreve um blog sobre presídios femininos. Pensando em uma forma efetiva de se manifestar em relação ao resultado, Nana decidiu envolver os movimentos feministas com os quais mantém contato por conta de seu trabalho. “Elas não só toparam a ideia de cara, como queriam convidar mais gente. Por isso, decidimos tornar o lance um viral no Facebook para amanhã à noite”.

A ideia do movimento é que as mulheres tirem uma foto de topless, com uma faixa ou cartaz tampando os seios (ou não) e dizendo “Eu também não mereço ser estuprada”.”É legal percerber que quem está topando participar do movimento são mulheres normais, não apenas as militantes”, diz.

CORRENTE DO BEM
De acordo com Nana, a página está ganhando 100 convidados a cada 5 minutos. “Estou mutio feliz. As pessoas têm me escrito sugerindo hashtags e lemas”.

O marido de Nana, também jornalista, se ofereceu para tirar a foto dela seminua para o protesto. “Sinal de que há homens (muitos bons homens) que não pensam como a maioria daquela pesquisa”. Nana diz que muitos parceiros de amigas dela farão o mesmo. “Vamos criar uma corrente do bem e, quem sabe, mudar algumas mentes“, afirma.

Assim como outras mulheres, Nana também se sente intimidada na rua. “Sou ciclista e venho trabalhar, naturalmente, de shorts justo de ciclismo. Quando me desrespeitam, paro e respondo”. A jornalista diz que, muitas vezes, ouve um “você está pedindo”. “Simplesmente digo “se fosse provocar alguém, não seria um subhomem como você”.

MULHERES TAMBÉM ACREDITAM NISSO
Um dos dados mais chocantes do estudo mostra que os homens não são os únicos responsáveis por reforçar os comportamentos e pensamentos machistas de nossa sociedade. A pesquisa do Sistema de Indicadores de Percepção Social do Ipea entrevistou 3.810 pessoas. A maioria delas era formada por mulheres: elas representaram 66,5% do universo de entrevistados. “Acho esse resultado previsível”, diz Nana. “As mulheres são grandes propagadoras do machismo, principalmente porque, como estão numa posição submissa, não sentem-se confortáveis para contestar a opinião masculina. Apenas repetem sem reflexão”.

Para ela, muitas das mulheres que responderam de forma machista à pesquisa não desejam de verdade que suas colegas de trabalho que abusam mais no decote sejam estupradas. “Por mais moralistas que sejam, elas não querem que isso aconteça”, finaliza.

 

Comentários

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1 Comentário

  1. Rafael disse:

    Dividir, dividir, dividir … rumo ao buraco.

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