‘Detox digital’ começa a ganhar adeptos no mundo

Viciados em tecnologia procuram programas para se desconectar e desintoxicar

 Larissa, de 23 anos, raramente desgruda os olhos do celular. Ela usa o aplicativo Whatsapp para conversar com amigos, ver vídeos, ler e o utilizou até para dar entrevista (foto:  João Laet / Agência O Dia)


Larissa, de 23 anos, raramente desgruda os olhos do celular. Ela usa o aplicativo Whatsapp para conversar com amigos, ver vídeos, ler e o utilizou até para dar entrevista
(foto: João Laet / Agência O Dia)

Beatriz Salomão, em O Dia

Desintoxicar o organismo é função associada, normalmente, a dietas que pretendem eliminar substâncias nocivas ingeridas. Recentemente, porém, o termo ganhou outra aplicação. Trata-se do ‘detox digital’, programa em que o paciente se desconecta do mundo virtual e abandona qualquer tipo de tecnologia: celular, carregador e até relógio.

Hotéis e campings de países como Estados Unidos, Irlanda e Ilhas Cayman já contam com diárias de desintoxicação digital. No Renaissance de Pittsburgh (Pennsylvania), por exemplo, na hora do check in o ‘hóspede detox’ deixa todos os eletrônicos na recepção, incluindo carregadores. No quarto, não há internet, TV, nem relógio, e o telefone só liga para a recepção.

Também nos Estados Unidos, existem os retiros ‘detox digital’: desconectar para reconectar’, organizados por Levi Felix, inventor do movimento. “Ajudamos pessoas a terem uma relação equilibrada com a tecnologia. Pessoas de oito países além dos americanos participam dos retiros”, conta o americano. No Brasil, serviço semelhante será oferecido no Hotel Le Canton, em Teresópolis, no próximo final de semana. As mulheres serão convidadas a desligar celulares e aparelhos eletrônicos, para que possam relaxar e aproveitar atividades como yoga e curso de maquiagem

A psicóloga Sylvia van Enck, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), explica que o excesso de informações e estímulos típico da rede geram estresse, ansiedade, cansaço, além de dificuldade de concentração. “Chega um momento em que a pessoa não assimila, nem memoriza o que está lendo. Acostumadas com coisas instantâneas, as pessoas perdem a capacidade de concentração”.

A estudante Larissa Ferreira, 23 anos, está sempre conectada ao Iphone, especialmente ao Whatsapp — ela fez questão inclusive de dar entrevista ao DIA através do aplicativo. A jovem já cogita baixar um outro aplicativo, do Unicef, que força as pessoas a ficarem longe do celular. A cada dez minutos sem tocar no aparelho, uma empresa doa água a crianças pobres.

“Acho que pode me ajudar a fazer minha monografia. Converso com muitos amigos, vejo vídeos, blogs e às vezes passo da hora de dormir”, conta, acrescemtnando que teria dificuldade em participar de um Detox. Para a psicóloga, o ‘detox digital’ pode ser o primeiro passo para estabelecer uma relação mais saudável com a tecnologia. “É bom para perceber que é possível viver desconectado, mas é preciso dar continuidade depois”.

 Danny: seis meses trancado (foto:  Reprodução)


Danny: seis meses trancado
(foto: Reprodução)

Obssessão pelo selfie perfeito

A busca pelo ‘selfie perfeito’ e o vício em tirar autorretratos quase levaram o jovem Danny Bowman, 19 anos, à morte, em março. Obcecado por postar retratos em rede social, ele chegou a passar mais de dez horas tentando capturar a imagem ideal, fazendo mais de 200 ‘selfies’.

Danny perdeu quase 30 quilos, abandonou a escola e não saiu de casa por seis meses para tentar encontrar a foto perfeita. Frustrado com suas tentativas, o britânico tentou o suicídio, mas foi salvo pela mãe. “Estava constantemente em busca do selfie perfeito. Quando percebi que não podia, queria morrer. Perdi meus amigos, minha educação, minha saúde e quase minha vida”, disse ao jornal ‘Daily Mirror’.

Danny iniciou terapia para controlar o vício em tecnologia e para tratar o Transtorno Dismórfico Corporal, um tipo de ansiedade excessiva com a aparência pessoal. Na Espanha, o problema foi com o Whatsapp. Uma gestante de 34 anos foi a primeira mulher diagnosticada com ‘WhatsAppitis’, lesão no dedão e no punho devido ao uso excessivo do aplicativo.

A mulher passou cerca de seis horas digitando no celular. O tratamento incluiu abstinência do aparelho. No teste do site ( http://bit.ly/QMKiIs ) é possível saber se a pessoa é dependente digital.

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