12% dos paulistanos concordam com ataque a mulher com roupa sensual

Elvis Pereira e Lívia Sampaio, na Folha de S.Paulo

Doze por cento dos moradores de São Paulo concordam total ou parcialmente com a triste ideia de que mulheres com roupas provocantes devem ser atacadas. O resultado consta de pesquisa do Datafolha, encomendada pela sãopaulo, com a população da capital.

Apesar de bem inferior aos 26% apresentados pelo tão falado levantamento do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), os resultados não podem ser comparados, pois um abrange a cidade de São Paulo e o outro, o país.

A polêmica foi grande porque, ao divulgar os resultados, o Ipea inverteu gráficos e apresentou dados errados. Inicialmente, foi divulgado que 65,1% dos brasileiros concordavam total ou parcialmente com a frase: “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. Passados oito dias, o instituto anunciou que o número correto era 26%.

No meio tempo, uma jornalista organizou o protesto on-line #nãomereçoserestuprada. A emissora britânica BBC divulgou a discussão e a presidente Dilma Rousseff (PT) saiu em defesa dela, pedindo respeito às mulheres.

Além do número errado, surgiram questionamentos em torno da metodologia adotada pelo Ipea, como o fato de a proporção de mulheres ouvidas (66,5% da amostra) superar a da população do país (51%). O mesmo ocorreu em relação ao número de idosos.

O Ipea afirmou que “todas as pesquisas domiciliares probabilísticas tendem a obter amostras com percentuais de respondentes idosos e mulheres superiores aos da população”. E que todas as metodologias de pesquisa estão sujeitas a possíveis melhoramentos.

MAIORIA

A pesquisa do Datafolha, feita no dia 7 de abril com 798 moradores maiores de 16 anos, revelou outros dados. A margem de erro é de quatro pontos percentuais, para mais ou para menos.

Mais da metade dos moradores, 53% deles, já sofreu algum tipo de assédio sexual —físico, a exemplo de “encoxadadas”, ou verbal, como cantadas. O número é maior entre as mulheres: 63%.

Segundo Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, é importante relativizar o que as pessoas entendem por assédio. “Pode ser desde uma cantada de rua até agressão física.”

Outro ponto destacado por Paulino é que a discussão da sociedade acerca da pesquisa do Ipea pode ter influenciado as respostas dadas ao Datafolha. “Houve uma grande repercussão tanto antes quanto após a divulgação do erro. Isso, de fato, pode direcionar as respostas.”

Ao serem questionados se os trens deveriam ganhar um vagão exclusivo para mulheres nos horários de pico, 73% dos paulistanos revelaram ser favoráveis à medida. O vagão feminino é adotado, por exemplo, no Rio e no Distrito Federal.

Trens no Rio de Janeiro contam com vagão só para mulheres desde 2006 (foto: Alexandre Campbell/Folhapress)

Trens no Rio de Janeiro contam com vagão só para mulheres desde 2006 (foto: Alexandre Campbell/Folhapress)

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