EUA acusam a TelexFree de fraude e congelam seus bens

cropped-telexfree1Isabel Fleck, na Folha de S.Paulo

Autoridades americanas congelaram milhões de dólares em bens e entraram com uma ação contra a TelexFree nos EUA nesta semana acusando o grupo de promover “esquema ilegal de pirâmide” financeira.

Segundo a SEC (Comissão de valores mobiliários dos EUA), autora da ação na Corte Distrital de Massachusetts, a TelexFree opera por meio de “oferta fraudulenta e não registrada de títulos”, que tem como principais alvos brasileiros e dominicanos que vivem nos EUA.

A própria empresa diz ter arrecadado mais de US$ 1 bilhão, segundo o documento apresentado pela SEC ao tribunal, mas não torna pública nenhuma documentação comprovando a receita.
No Brasil, as operações da Telexfree foram bloqueadas em 2013, por tempo indeterminado, a pedido do Ministério Público do Acre.

A decisão da comissão americana veio depois que, na segunda-feira passada, a TelexFree LLC, a TelexFree Inc. e a TelexFree Financial Inc., subsidiárias e afiliadas da TelexFree, pediram concordata em uma Corte de Nevada.

Segundo a acusação apresentada pela SEC, as três empresas declararam dever até US$ 600 milhões, mas possuir não mais que US$ 120 milhões.

De acordo com a SEC, os títulos são oferecidos pela TelexFree aos investidores com a promessa de até 250% de retorno do valor pago, por ano.

É possível escolher entre um “pacote” que custa US$ 289 e inclui um kit de publicidade, ou o de US$ 1.375, que vem com cinco kits. Segundo a própria TelexFree, 88% dos investimentos feitos em Massachusetts foram do segundo pacote, de US$ 1.375.

Em março, a TelexFree alterou seu plano de compensações, tornando muito mais difícil aos investidores atingir metas para receber seu pagamento. A mudança gerou reclamações e colocou o esquema mais em evidência.

A ação do SEC foi movida contra a TelexFree e oito de seus integrantes.

Um deles, o brasileiro Sanderley Rodrigues de Vasconcelos, conhecido como Sann Rodrigues, convocou para hoje, por meio de sua página no Facebook, uma reunião em Orlando, na Flórida, com os “líderes” que participam da empresa para “entender tudo o que aconteceu, está acontecendo e possivelmente vai acontecer com a TelexFree agora”.

Em post na quarta, ele escreveu: “Infelizmente, eu fui surpreendido e soube do ocorrido da mesma forma que vocês: pela internet”.

Segundo ele, é possível “identificar falhas e até analisar tudo o que aconteceu de forma crítica, especialmente em relação às abruptas mudanças”. Procurado pela Folha, ele não respondeu ao pedido de entrevista.

O advogado americano Gerald Nehra, citado na acusação, disse à reportagem que não responderia sobre a ação movida pela comissão.

Os diretores não foram encontrados para comentar as acusações ontem, e a página “telexfree.com” estava “em manutenção” durante o dia.

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