Falso padre engana fiéis e párocos no Noroeste, e acaba preso na Semana Santa

‘Padre Ricardo’ foi desmascarado após participar do rito católico em Laje do Muriaé e Porciúncula

Paulo Cappeli, em O Dia

 Selfie: ‘Padre Ricardo’ celebrava missas e postava fotos no Facebook Foto:  Reprodução Internet


Selfie: ‘Padre Ricardo’ celebrava missas e postava fotos no Facebook
Foto: Reprodução Internet

Rio – Já imaginou se confessar com um padre e, dias depois, descobrir que revelou seus pecados e arrependimentos a um falso sacerdote? Essa é a sensação vivenciada por centenas de fiéis em Laje do Muriaé e Porciúncula, no Noroeste Fluminense. Wesley Ricardo da Costa, que se autointitulava ‘Padre Ricardo’ e enganou até os párocos das duas cidades, foi levado para a 138ª DP (Laje do Muriaé) após ser desmascarado. Mas não antes de concelebrar as missas da Semana Santa, período em que a presença de devotos aumenta nas igrejas.

Natural de São Paulo, Wesley conseguiu participar do rito católico nos municípios fluminenses depois de usar o Facebook para convencer o padre Ramyro Armond, da Igreja Nossa Senhora da Piedade, em Laje do Muriaé. Em sua página na rede social, ‘Padre Ricardo’ disse que teria “uns dias de folga” e perguntou a Ramyro se poderia conhecer a paróquia. Ramyro, acostumado a navegar na internet, viu o seu álbum repleto de fotos com párocos paulistas e lhe fez o convite.

Sabendo da boa vontade de ‘Padre Ricardo’, Gilberto Araújo Alvim, pároco de Porciúncula, tratou de entrar em contato e solicitar seus serviços para o período da Páscoa. “Fomos ingênuos? Não. Apenas parecia ser realmente um padre católico, pois em seu Facebook havia fotos ao lado do Cardeal de São Paulo, com quem havia concelebrado missas”, disse.

A farsa só foi descoberta após fotos de uma das missas em Porciúncula serem postadas na internet. Paróquias paulistas que já haviam sido alvo do falsário alertaram a Diocese de Campos dos Goytacazes, à qual as paróquias do Noroeste são vinculadas.

O enclausuramento involuntário do falso padre não durou muito tempo. Por se tratar de crime com menor potencial ofensivo, Wesley foi liberado e responderá em liberdade por falsidade ideológica — ele tinha uma carteira falsa da Diocese de São Paulo.

Se o arrependimento é a chave para a remissão dos pecados, Wesley, ao que tudo indica, ainda está bem longe de uma vaga no céu. O falso padre conhece a liturgia católica e seus ritos, pois cursou o Seminário Católico por quatro anos, mas foi expulso por problemas disciplinares.

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