Lula, Marina e o dia em que Deus entrou no meio

foto: Mídia Recôncavo

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Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo

Lula gosta de falar do dia em que ele e Marina Silva conversaram com Deus sobre a permanência da então ministra do Meio Ambiente no governo dele. Gosta tanto que a história já se espalha: quatro políticos muito próximos do ex-presidente –três deles, ex-ministros de sua equipe– a reproduziram para a coluna, em momentos diferentes.

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Já Marina, consultada, reagiu num primeiro momento dizendo que o relato não é verdadeiro. Em seguida, afirmou que não comenta conversas reservadas por uma questão ética.

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Os quatro amigos de Lula contaram o que segue:

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Estava o ex-presidente em seu gabinete, envolto em mais uma das crises que sempre complicam a vida dos governantes. Era o começo do segundo mandato. Um assessor entra em sua sala, esbaforido: “Presidente, a Marina está aí. Quer falar com o senhor. Diz que é importante”.

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Lula, que àquela altura mal se lembrava de Marina, uma ministra que não lhe dava dor de cabeça, ordenou: “Manda ela entrar”.

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Marina chega (segundo um dos políticos que reproduziram para a coluna o que diz ter ouvido de Lula, ela estava acompanhada por um pastor). E solta a bomba: “Presidente, acho que chegou a hora de eu sair do governo”. Lula quase teria despencado do sofá. Como? Marina era uma estrela da equipe e ele não queria perdê-la.

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Ela apresenta seus argumentos. Lula tenta demovê-la. Ela diz que quer mesmo sair. Ele insiste. Até que ela afirma: “Presidente, eu conversei com Deus. E é o momento de eu sair”.

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Contra Deus, não há argumentos: Lula não tinha mais o que dizer. Teria então pedido um prazo para encontrar um novo ministro.

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Os dias se passaram e Lula até se esqueceu do pedido de demissão. Mas Marina, não. E voltou a pedir uma audiência, desta vez para formalizar sua saída. Lula pensou, pensou. Ao receber a então ministra, afirmou: “Marina, eu sonhei com Deus. Eu sonhei com Deus e ele me disse que ainda não está na hora de você sair do meu governo. Você ainda tem muito o que fazer na nossa equipe”.

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Desconcertada, Marina titubeou (no relato que inclui a presença de um pastor na audiência, o religioso teria dito a ela e a Lula: “Então empatou”). Ficou no governo por mais um tempo. Pediu demissão em maio de 2008.

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Na semana passada, durante um jantar na casa do empresário João Doria Jr., a coluna consultou Marina sobre a história que Lula conta. A primeira reação dela foi de indignação: “Eu não acredito que o presidente Lula está contando essa história porque ela não é verdadeira”.

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Pouco depois, voltou ao tema, elevando o tom de voz: “As pessoas me perguntam e eu sempre digo: o que tinha que falar do Lula, falei quando saí do governo. As minhas razões foram expostas naquele momento. Falar de conversas reservadas que tivemos quando estávamos no mesmo projeto, eu não falo. Porque isso seria uma completa falta de ética”. A assessoria de Lula não comenta.

Comentários

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1 Comentário

  1. sleiman disse:

    Marina tem deus é…? AH já sei… O deus de Isaías 45:7, o mesmo que diz “EU CRIO O MAL”. Marina, em nome de seu deus, quer o poder de qualquer forma. Disse que, se não conseguisse candidatar-se por meio do partido que criou, não seria candidata. E não é que ela é, apesar da promessa…?

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