SP: Polícia investiga aliciamento de haitianos para trabalho escravo

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Publicado no Terra

Menos de um mês depois do polêmico desembarque dos imigrantes haitianos vindos do Acre para São Paulo, a Polícia Civil paulista já investiga o segundo caso de tentativa de aliciamento do grupo para fins de trabalho análogo à escravidão na capital paulista.

De acordo com o delegado César Camargo, titular da 1a Delegacia de Proteção à Pessoa do DHPP – que investiga casos de tráfico de pessoas e trabalho escravo em São Paulo, foi registrado no 8o DP do Pari um boletim de ocorrências no último feriado, 01 de maio, onde membros da comunidade que acolhe os imigrantes acusam um suposto professor universitário de tentar aliciar um grupo de dez haitianos para trabalharem numa empresa clandestina na cidade.

Camargo não deu maiores detalhes sobre o caso, que já está sob investigação. Mas disse que o suposto aliciador fora até a comunidade onde os haitianos estão abrigados com promessas consideradas “estranhas” e “fantasiosas” pelos voluntários que trabalham na acolhida ao grupo.

“Como no caso dos bolivianos que chegam clandestinamente ao Brasil, os aliciadores se aproveitam da situação de fragilidade social dos haitianos para tentar levá-los. Para nós é uma preocupação muito grande que essas abordagens suspeitas aumentem, a medida que o grupo deixa de ser assistido ou incluído em frentes de trabalho pelo Poder Público”, diz o delegado César Camargo, que narrou o caso em depoimento dado à CPI do Trabalho Escravo da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), na tarde desta quarta-feira (07).

Na semana passada, o Ministério Público de São Paulo também iniciou uma investigação contra uma empresa de Santa Catarina que tentava levar 20 imigrantes haitianos para trabalhar no Estado sem apresentar documentação. O caso aconteceu na Paróquia Nsa. Sra da Paz, no Glicério, que é principal centro de apoio aos imigrantes na cidade.

Na ocasião, um estrangeiro teria usado uma ônibus para transportar de forma clandestina os trabalhadores e foram denunciados pelo pároco da igreja.

O delegado César Camargo (direita, terno marrom), fala na CPI do Trabalho Escravo na Alesp ao lado do presidente da CPI, Calor Bezerra Jr (Foto: Alesp)

O delegado César Camargo (direita, terno marrom), fala na CPI do Trabalho Escravo na Alesp ao lado do presidente da CPI, Calor Bezerra Jr (Foto: Alesp)

 

O presidente da CPI, deputado Carlos Bezerra Jr (PSDB), diz que os membros da comissão devem fazer uma diligências nesses locais para tentar entender as reais condições do grupo de haitianos instalados nas comunidades Santo Antonio do Pari e Nossa Sra. Da Paz, na região do Glicério, que estão recebendo os imigrantes vindos do Acre.

“Os membros da CPI querem fazer pressão política para que todas as esferas de governo atuem na ajuda a esses imigrantes necessitados, implementando políticas preventivas para evitar que a força de trabalho deles seja usada indevidamente por supostos empresários sem escrúpulos que se aproveitam para submetê-los a trabalhos sem estrutura”, argumenta Carlos Bezerra Jr.

Vale lembrar que São Paulo é um dos poucos Estados do mundo onde há uma lei rigorosa que pune empresários que utilizam trabalho escravo. Na lei paulista contra escravidão, o empresário flagrado utilizando a prática perde os registros estaduais e seus sócios ficam dez anos impedidos de abrirem novas empresas no Estado.

A lei é de autoria do próprio presidente da CPI da Alesp e já foi elogiada até pela Organização das Nações Unidas (ONU).

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