Psol lança candidatura de Luciana Genro à presidência com propostas polêmicas

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Mariana Haubert, na Folha de S.Paulo

Por unanimidade, o Psol oficializou neste domingo (22) a candidatura da ex-deputada Luciana Genro (RS) à Presidência da República nas eleições de outubro. Como vice, foi indicado Jorge Paes, membro do diretório paulista.

Como principais propostas de governo, Luciana afirma querer realizar uma ampla auditoria da dívida pública e uma reforma no sistema tributário brasileiro. Ela pretende ainda, levar para o debate eleitoral temas considerados polêmicos e por isso evitados pelos principais candidatos à Presidência. Luciana irá defender a descriminalização da maconha, a garantia dos direitos LGBT e a legalização do aborto como política pública de saúde.

“Eles não tem coragem de apresentar propostas concretas […] Vamos demonstrar a insatisfação da juventude que foi às ruas com o sistema que vamos confrontar”, afirmou ao final da convenção do partido, realizada neste fim de semana em Brasília.

Evocando as manifestações de junho de 2013, Luciana afirma que os governos não atenderam às demandas apresentadas pelos manifestantes, como a melhora da saúde, da educação e do transporte público. “Temos a tarefa de apresentar nossas propostas de acordo com as jornadas de junho”, disse. Questionada se seria “a voz das ruas”, disse que isso seria muita “pretensão”.

“Seria muita pretensão dizer que somos a voz dessas manifestações, mas nós queremos dar voz para essas demandas que vieram das ruas no ano passado. São demandas que vêm do povo, da classe trabalhadora e que não foram atendidas pelos governantes”, disse.

Apesar de apoiar as manifestações, Luciana criticou os atos de vandalismo que continuam a ocorrer durante diversos protestos. “Nós não compartilhamos deste método porque ele afasta o povo das ruas. Afasta as pessoas e gera uma repressão policial na maior parte das vezes exagerada e a criminalização dos movimentos sociais”, disse.

A candidata afirmou ainda que as três principais candidaturas à Presidência – a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), a eleição do senador Aécio Neves (PSDB) e do ex-governador Eduardo Campos (PSB) – não representam nenhum tipo de mudança.

“Embora diferentes, esses projetos não são antagônicos. São projetos burgueses que o PSDB representa com seu reacionário e retrocesso ao neoliberalismo puro, é o projeto do continuísmo representado pelo PT, é o projeto que fica no meio do caminho, do Eduardo Campos, que não sabe se quer continuar com o que está aí ou se quer retroceder ainda mais”, disse.

Luciana Genro, 43, foi duas vezes deputada estadual no Rio Grande do Sul e deputada federal também por dois mandatos. Ela é filha do governador gaúcho, Tarso Genro (PT), e está impedida de concorrer a cargos públicos no Estado devido ao parentesco.

O nome de Luciana foi referendado por 61 membros do diretório nacional e 27 representantes de diretórios estaduais do partido. Seu nome ganhou força dentro do partido após a desistência do senador Randolfe Rodrigues (AP) na semana passada.

AUSÊNCIAS

Randolfe Rodrigues não participou da convenção nacional. Ontem, ele explicou à Folha que estava no Amapá cuidando de assuntos regionais. Apesar de afirmar não guardar nenhuma mágoa do partido por não ter conseguido viabilizar a sua candidatura à presidência, Randolfe criticou a forma como a sigla anunciou a sua desistência.

A cúpula do Psol divulgou uma nota na sexta-feira (13) informando sobra a saída do senador da disputa. No entanto, segundo Randolfe, havia um acordo para que o anúncio fosse feito por ele em uma carta na semana seguinte. “O modus operandi do partido não foi muito educado. Achei que faltou elegância”, disse.

“Minha candidatura não unificou a esquerda e não barrou a ofensiva conservadora. Por isso decidi sair. Me senti como o Vicente Del Bosque [técnico da seleção espanhola, eliminada na primeira fase da Copa do Mundo] depois de duas derrotas. Quando um técnico perde, coloca o cargo à disposição e foi isso que eu fiz”, disse.

Luciana minimizou a desistência do colega e afirmou que o partido está unido para enfrentar a disputa eleitoral. Durante a convenção, a ex-deputada convocou a militância para sair às ruas e fazer a sua propaganda já que o partido conta com apenas 50 segundos na propaganda de rádio e televisão. “Não temos dinheiro das grandes empresas e nem temos tempo de propaganda, mas temos uma militância que faz campanha por ideal”, disse.

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