Dr. Rey vira sensação em bastidor do PSC

Anna Virginia Balloussier, na Folha de S.Paulo

O deputado Marco Feliciano congela o sorriso para o selfie. “Olha como vai sair na reportagem: os dois maiores héteros e o homem que toca todas as mulheres”, diz na convenção nacional do Partido Social Cristão, o PSC, que tomou a Assembleia Legislativa de São Paulo com bandeiras nas cores verde e branca e o logotipo cristão do peixe.

Ele abraça o colega Jair Bolsonaro e Dr. Rey, aspirante à sua primeira vaga na Câmara dos Deputados. A foto é tirada a pedido da repórter, com o celular dela, pelo cirurgião plástico conhecido por “Dr. Hollywood”, reality show que acompanha sua vida em Beverly Hills.

Candidato à reeleição, Feliciano avalia estar muito bem acompanhado nesta manhã de sábado, 14 de junho. “Uau, temos uma estrela hollywoodiana! Isso dá um upgrade no partido. Nós temos aí um Bolsonaro em São Paulo. O filho do Jair Bolsonaro é candidato pelo partido.”

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A “defesa da família” é o mínimo denominador comum entre o ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos e dois neófitos na política, Dr. Rey e Eduardo Bolsonaro, policial federal formado em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e caçula do polêmico deputado do PP-RJ.

O trio é candidato a engrossar a bancada de deputados federais do “único partido que não tem vergonha de falar de Deus”, como define o cirurgião plástico, sacando uma bandeirinha do Brasil do bolso do terno preto de risca de giz.

Lá fora, um caminhão de som toca “Hotel California”. Fazendo as vezes de cabo eleitoral, garotas de cabelo escovado, calça preta justa e salto alto vestem a camisa com o nome de Dr. Rey e o de Maria Melilo, campeã do “Big Brother Brasil” em 2011 se filiou ao PSC após superar um câncer no fígado provavelmente causado pelo uso de anabolizantes. Segundo sua assessoria, ela deve concorrer a deputada estadual.

Hoje, a legenda tem 12 congressistas na Câmara dos Deputados, como Feliciano (SP) e Ratinho Jr. (PR), e um senador, Eduardo Amorim (SE).

Para 2014, a sigla lança um candidato à Presidência. Everaldo Dias Pereira, o Pastor Everaldo, da Assembleia de Deus (Ministério Madureira), sobe no palanque, pede “um copinho d’água para molhar o bico” e deságua uma enxurrada de críticas ao atual governo, “ausente, omisso e incompetente”.

“A minha mãe se chama Dilma, mas é uma santa mulher”, diz o presidenciável, “nascido literalmente na igreja”, sobre a mulher que o deu à luz no dia 22 de fevereiro de 1956, após sentir as dores do parto num culto evangélico. Em 2010, o PSC estava na coligação que elegeu Dilma Rousseff (PT).

Pastor Everaldo aparece como terceiro colocado em pesquisa Datafolha feita no começo de junho, com 4% das intenções de voto -tecnicamente empatado com Eduardo Campos (PSB), que ficou com 7% na sondagem. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o candidato do PSC pode estar com 6%, e o ex-governador de Pernambuco, com 5%.

Em entrevista à Folha, o cientista político Fernando Abrucio comparou a ascensão do pastor à de Enéas Carneiro em 1994, presidenciável de direita que aproveitava seus poucos segundos de propaganda na TV para bater na mesa e exclamar: “Meu nome é Enéas”. “Ele [pode] ser um fenômeno como o Enéas [que acabou em terceiro lugar].”

Everaldo rechaça o paralelo. “Com todo o carinho e respeito, até o biotipo é diferente.” Também se incomoda como rótulo de nanico. “Ninguém chama o PV, o PC do B assim, e somos maiores do que eles.”

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