Felipão vai de Einstein a avisos contra vacilos no vestiário da seleção

Papel pendurado no vestiário da seleção assinado por Felipão (foto: CBF/Divulgação)

Papel pendurado no vestiário da seleção assinado por Felipão (foto: CBF/Divulgação)

Publicado na Folha de S.Paulo

O precursor do conservadorismo moderno, um célebre escritor de origem socialista e um dos maiores nomes da literatura norte-americana.

Edmund Burke (1729-1797), George Bernard Shaw (1856-1950) e F. Scott Fitzgerald (1896-1940) foram “convocados” por Luiz Felipe Scolari para ajudar a seleção.

Frases dessas três personalidades já foram estampadas no vestiário para motivar os jogadores nesta Copa do Mundo.

Felipão não leu os três autores, mas gosta de colecionar frases para usar nas suas preleções e nos vestiários antes dos jogos.

O treinador tem uma pasta cheia de frases de grandes escritores e pensadores na Granja Comary, em Teresópolis. No período do Mundial, ele já usou dezenas delas para tentar empolgar os atletas.

De F. Scott Fitzgerald, Felipão selecionou: “a vontade de ir adiante se revela não só pela vitalidade e capacidade de persistir, mas também na certeza de que é necessário começar tudo de novo”.

A frase foi estampada no vestiário do Mineirão pouco antes do início do dramático jogo que classificou o time às quartas de final.

Autor de “O Grande Gatsby”, Fitzgerald é um dos expoentes da “geração perdida” – americanos expatriados na Europa depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

A folha de papel com as frases foi colada próximo do improvisado altar, que Felipão monta para Nossa Senhora de Caravaggio.

Outra é inspirada no cientista alemão Albert Einstein: “Nada na vida e neste mundo se consegue sem enfrentar dificuldades. A dificuldade sempre deve ser entendida como um desafio, como uma oportunidade de se chegar a objetivos. Nada nesta vida se consegue vacilando”

Já do filósofo Edmund Burke, o treinador escolheu: “A dificuldade é um severo instrutor”.

Decisivo na causa independentista dos colonos americanos, Burke é precursor do conservadorismo moderno.

Júlio César em foto divulgada pela CBF perto de imagem de santa e com as mensagens de Felipão (foto: Ricardo Stuckert/CBF)

Júlio César em foto divulgada pela CBF perto de imagem de santa e com as mensagens de Felipão (foto: Ricardo Stuckert/CBF)

Felipão também estampou no Mineirão uma frase do dramaturgo George Bernard Shaw.

Único escritor a vencer o prêmio Nobel de literatura (1925) e o Oscar (1938), Shaw foi um dos fundadores da London School of Economics e uma defensor das ideias socialistas.

Do escritor irlandês, o técnico da seleção optou por: “As pessoas que vencem neste mundo são as pessoas que procuram as circunstâncias de que precisamos e quando não as encontram, criam”

Além de pensadores, Felipão também colocou avisos cobrando atenção também são destacados.

As palavras “foco” e “atenção” ganham destaque em meio a recados como: “1. Não deu para roubar a bola no campo adversário, volta e agrupa – remonta. No nosso campo 2 linhas de 4.”

Recados deixados pelo técnico da seleção no vestiário da seleção brasileira (foto: CBF/Divulgação)

Recados deixados pelo técnico da seleção no vestiário da seleção brasileira (foto: CBF/Divulgação)

SEM GUERRA

Depois da dramática classificação contra o Chile, Felipão espera uma partida mais franca no Castelão.

“Com a Colômbia é mais amizade. O jogo também é difícil, porque eles são bons. Mas não teremos a guerra, que acontece quando jogamos contra o Chile, a Argentina ou o Uruguai”, disse o treinador.

Após chorar em pleno gramado do Mineirão, o capitão Thiago Silva garante que a seleção não entrará em campo abalada.

“Não tenho nada engasgado, muito pelo contrário. Em termos psicológicos, estamos bem” disse Thiago Silva.

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