Família suspeita de fraude com milhas no RJ responderá em liberdade

Movimentação foi de quase R$ 40 milhões, segundo a polícia.
Técnico em eletrônica comandaria esquema com 11 pessoas.

advenPublicado no G1

Uma família de Padre Miguel, na Zona Oeste do Rio, é suspeita de movimentar R$ 39 milhões em transações ilegais com cartões de crédito e milhas. Segundo a polícia, os parentes usavam o dinheiro pra levar uma vida de luxo: com carros, compras e viagens pelo mundo todo. A reportagem foi exibida pelo Fantástico neste domingo (3).

Segundo o delegado Flávio Porto, os suspeitos podem responder em liberdade por formação de quadrilha, estelionato, falsidade ideológica, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro. Procurados pela reportagem do Bom Dia Rio, os suspeitos não quiseram gravar entrevista.

O retrato de uma família feliz. Em Hollywood. Nos mais belos cartões postais dos Estados Unidos, da Europa, da América do Sul e até da China. Foram muitos os passeios e aventuras. Nos últimos anos, essa família brasileira realizou o sonho de conhecer o mundo. Mas a polícia suspeita que todas essas viagens foram realizadas graças a um golpe.

Uma armação cheia de criatividade digna de cinema, cujo roteiro começa nessa rua pacata de Padre Miguel, na Zona Oeste. Na manhã da última quinta-feira, as forças especiais da polícia bateram à porta. O técnico em eletrônica Bruno Will, de 27  anos, suspeito de comandar o esquema, e a mulher Evellin, foram surpreendidos ainda de pijama.

Na casa em frente, Jeverson e Ester, os pais de Bruno, foram acordados  por homens de fuzil na mão. Mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça foram cumpridos ali, e também em casas da família em Bangu, São Gonçalo e Niterói. Dezenas de cartões de crédito, extratos, passagens aéreas, reservas, boletos bancários, relatórios financeiros e computadores foram apreendidos.

O dinheiro movimentado por Will e outras 10 pessoas da família chamou a atenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras do Ministério da Fazenda. O gasto com carros, casas, patrimônio e viagens, segundo a polícia, é uma fortuna incompatível com a renda declarada por eles. Bruno, por exemplo, tem renda de R$ 1,7 mil.

O esquema
De acordo com o delegado chefe do Núcleo de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro, o esquema funcionava a base do acúmulo de milhas, utilizando de boletos bancários falsos.

Com o propósito de ganhar milhas, cartões de crédito eram usados em sequência para pagar contas e faturas de outros cartões. O valor de algumas faturas era altíssimo. Só uma delas custava R$ 32 mil. Bruno, a mulher e os pais dele, tiveram dezenas de cartões de crédito válidos apreendidos. Um cartão cobria a despesa de outro cartão e assim sucessivamente, o que não é crime. O problema é que o grupo decidiu cometer uma fraude e fabricar boletos falsos para acelerar o ganho de milhas. Bruno e a mulher emitiam boletos no nome deles. E eram pagos por eles mesmos.

Segundo a polícia, não havia qualquer produto ou serviço vinculados aos pagamentos. Os investigadores descobriram que as milhas acumuladas eram vendidas para uma agência de viagem em Minas Gerais, que depositou milhares de reais em contas da família. Outras teriam sido trocadas por passagens aéreas.

As empresas aéreas e cartões de crédito proíbem em contrato a venda de milhas. Mas na internet há dezenas de sites e empresas que compram as milhas por valores que variam de acordo com a demanda.

A Justiça determinou o bloqueio das contas bancárias e das milhas dos 11 investigados. O delegado diz que a quebra do sigilo bancário deve mostrar quanto dinheiro foi obtido de forma ilegal. A polícia aguarda o resultado de perícia para saber como foram usados os milhões de reais que circularam nas contas do grupo. E espera entender por que uma família de classe média, religiosa, aparentemente e unida e feliz, atravessou a fronteira da criatividade para fazer uma viagem bem mais cara ao mundo do crime.

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