Garotinho critica Crivella e diz que ele não lê a Bíblia

Anthony Garotinho (PR-RJ) respondeu a crítica de Marcelo Crivella (PRB) (foto: André Coelho / André Coelho/01-07-2014)

Anthony Garotinho (PR-RJ) respondeu a crítica de Marcelo Crivella (PRB) (foto: André Coelho / André Coelho/01-07-2014)

título original: Ataques de fé em nome do voto: Garotinho responde a crítica de Crivella

Marcelo Remigio, em O Globo

Com um discurso carregado de referências à Bíblia, o candidato do PR ao governo do Rio, deputado federal Anthony Garotinho, respondeu ontem ao adversário do PRB na disputa, senador Marcelo Crivella, que o acusou de ser culpado pelo aumento da violência em áreas onde há Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Garotinho, que é evangélico, disse que o senador, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), mente e se comporta como “um fariseu” ao defender interesses materiais. Para ele, Crivella deixou de ler a Bíblia e deveria recorrer aos Dez Mandamentos, que proíbem a mentira.

“Crivella, numa linguagem bíblica, está atirando naquele que sempre lhe estendeu a mão e se comportando como um fariseu de olho apenas nos seus interesses materiais”, postou Garotinho em seu blog, numa referência aos fariseus, grupo judaico da época de Cristo citado em pregações, muitas vezes referentes à hipocrisia e ao orgulho. “Embora eu não seja bispo nem pastor, conheço bem a palavra de Deus, e jamais utilizaria os meios que Crivella vêm usando para atingir o poder. Ele tem se comportado como o rei Saul, um homem que, depois de ser abençoado por Deus, tornou-se ambicioso, e descumpriu as ordens estabelecidas pelo Senhor dos Exércitos”, atacou o ex-governador, que, em sua TV on-line, mantém um vídeo em que garante não misturar religião com política.

Para Garotinho, os 12 anos de Crivella no Senado deixaram o adversário sem tempo para ler a Bíblia: “Suas declarações são mentirosas. E falando a linguagem que o bispo da Universal entende, o pai da mentira é o diabo”, disparou no blog.

CRIVELLA LIDERA ENTRE OS EVANGÉLICOS

Garotinho e Crivella estão tecnicamente empatados nas pesquisas de intenções de voto e disputam o eleitorado evangélico. O ex-governador é fiel da Igreja Presbiteriana, que integra o núcleo de igrejas protestantes históricas. Já Crivella é um dos religiosos da Iurd, igreja evangélica neopentecostal, que prega a prosperidade.

Garotinho tem intensificado as críticas a Crivella e tenta evitar o crescimento do adversário entre o rebanho evangélico. Hoje, eleitores de denominações evangélicas respondem por um terço dos votos fluminenses. De acordo com pesquisa recente do Instituto Datafolha, encomendada pela TV Globo e pelo jornal “Folha de S. Paulo” e divulgada no fim de julho (TRE-00009/2014), o candidato do PRB está à frente do ex-governador entre evangélicos. Crivella soma 35% dos votos dos evangélicos pentecostais, enquanto Garotinho tem 30%. Entre os neopentecostais a diferença é maior: 33% para Crivella e 23% para Garotinho. A margem de erro é de 3%.

“Outro dia, numa entrevista dada à (TV) Bandeirantes, o bispo da Universal Marcelo Crivella disse que o homossexualismo é pecado. E a mentira não é? Ele deveria ler os Dez Mandamentos. Um deles é ‘não mentir’. Ao cumprir a tarefa que o PMDB de Sérgio Cabral (ex-governador do Rio) e (Luiz Fernando) Pezão (candidato do PMDB a governador) lhe deu, ou seja, me atacar, ele descumpre outro mandamento bíblico: “Fazei o bem a todos, em especial aos irmãos da fé”, disse ainda Garotinho, em seu blog.

As acusações de Crivella contra Garotinho foram feitas durante sabatina do jornal “Folha de S.Paulo”/UOL/SBT, na última quinta-feira. De acordo com o senador, declarações de Garotinho contrárias às UPPs criam expectativas entre os bandidos e estimulam ataques às unidades: “Esses confrontos aumentaram sobretudo porque o Garotinho disse que ia acabar (com as UPPs), que a UPP era de lata, e isso acaba dando a esperança de que o cara (traficante) vai ser dono do morro. Nesses momentos da política, precisamos estar firmes. Se você hesitar, você já cria expectativas”.

Um dia antes, Garotinho disse, também em sabatina da “Folha de S.Paulo”/UOL/SBT, que pretende consertar o que está errado no modelo de Segurança Pública do atual governo. Segundo ele, “UPP não é sinônimo de pacificação”: “Eu nunca disse que vou acabar, mas a polícia não pode ser o único remédio para combater a criminalidade. Hoje, se vende a ideia de que somente UPP vai resolver o problema. Nós vamos consertar o que está errado na UPP, como esvaziar os batalhões do interior e mandar todo mundo para o Rio de Janeiro. Isso não dá. Vou fazer o batalhão de defesa social, modernizar a UPP. Não vou acabar com UPP nenhuma, vou fazer o batalhão de defesa social, uma evolução da UPP. O batalhão de defesa social é melhor do que a UPP”, afirmou, motivando a crítica de Crivella.

Crivella não comentou as críticas de Garotinho.

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