TRT condena empresa que obrigou funcionário a cortar black power

blackpower1Marcelo Sperandio, na Época

O Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região manteve, no início deste mês, uma condenação por assédio moral a uma agência de turismo que obrigou um funcionário a cortar o cabelo.

O autor da reclamação trabalhista, que trabalhava como revisor na Voetur Turismo, relatou que era vítima de comentários irônicos sobre o seu cabelo, a sua cor e seu excesso de peso.

Num evento da empresa que teve shows e cabeleireiros, o seu chefe insistiu, em público, para que ele cortasse o seu cabelo. Coagido, o revisor se submeteu ao corte, enquanto seus colegas o fotografavam e filmavam.

Na ação trabalhista, o reclamante diz que se sentiu “uma atração de circo”. No dia seguinte, envergonhado, o revisor pediu demissão.

Depois de ouvir depoimentos de testemunhas, o TRT condenou a Voetur Turismo a pagar uma indenização de R$ 5 mil ao seu ex-funcionário. Na decisão, o tribunal diz que o uso de cabelos grandes “nem de longe pode ser considerado comportamento inadequado, de modo que o estilo black power (…) não se apresenta como algo inusual, provocante ou que revele descuido no asseio pessoal”.

A decisão ainda afirma que a restrição ao uso do black power pode resvalar para o racismo. Para a desembargadora Cilene Santos, trata-se de um caso em que a questão racial foi levada a um patamar inaceitável.

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