Mudança climática derruba colheita de avelãs e ameaça produção de Nutella

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publicado no Estadão

O mau tempo na Turquia, maior produtora mundial de avelãs, está provocando uma aguda escassez desse ingrediente. A indústria turca, responsável pelo cultivo de 70% das avelãs de todo o planeta, se vê diante de uma colheita de avelãs que pode estar mais de 30% abaixo das expectativas originais, de acordo com o Guardian.
Como resultado, o preço das avelãs teve alta superior a 60% este ano, sendo atualmente mais do que o dobro do preço registrado no segundo semestre do ano passado.
Embora a alta no preço das avelãs deva prejudicar alguns fabricantes de chocolate, o mais vulnerável deles parece ser o grupo Ferrero, responsável pela Nutella. Isso porque, o Ferrero compra atualmente quase um quarto das avelãs de todo o mundo, dependendo muito da Turquia para obter as 50 avelãs necessárias para a produção de cada pote de 365g de Nutella.
A cadeia global de valor da Nutella, mapeada pela OCDE no ano passado, abrange o mundo inteiro. A sede do Ferrero fica na Itália, mas suas fábricas se espalham por diferentes continentes – e o mesmo vale para os fornecedores de ingredientes. As avelãs usadas são de fato turcas, mas o azeite de dendê vem da Malásia, e o cacau é cultivado na Nigéria.
A boa notícia para os fãs de Nutella é que o Ferrero adquiriu a empresa turca Oltan Group, uma das principais fornecedoras de avelãs da Turquia. O fato de agora estar com as mãos no pote de doce, por assim dizer, significa que o Ferrero pode se proteger um pouco das pressões do mercado, como a atual escassez de avelãs. “O Ferrero se protegeu até certo ponto dos problemas no fornecimento”, disse Julian Gale, editor-assistente do Foodnews, à Bloomberg.
A má notícia é que a situação parece estar piorando para o creme de chocolate com avelãs mais querido do mundo. As avelãs não são o único ingrediente cujo custo está aumentando. O azeite de dendê, responsável por cerca de 20% da composição do Nutella, também apresenta alta nos preços por causa da demanda maior e de problemas climáticos que afetaram a produção. O mesmo vale para o cacau, outro ingrediente chave – o preço do cacau aumentou mais de 40% desde o ano passado.
Nada disso significa que não haverá Nutella para todos esse ano, ou mesmo no seguinte. O Ferrero ainda não ajustou o preço nem alertou para um ajuste iminente. Mas, se persistirem as circunstâncias na Turquia, Nigéria e Sudeste Asiático, não seria surpreendente se as 250 mil toneladas de Nutella vendidas pelo Ferrero em mais de 75 países de todo o mundo começarem a ser oferecidas por um preço mais salgado.

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