O fator mais influente desta eleição presidencial é a ignorância do eleitorado

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título original: É a estupidez, estúpido!

Sérgio Malbergier, na Folha de S.Paulo

O fator mais influente desta eleição presidencial é a ignorância do eleitorado. As campanhas miram na ignorância das massas e nela investem suas forças. Não para esclarecê-las, mas para eleger seus candidatos. Isso não é ilegal e é muito eficiente. Mas para onde vai nos levar? E para onde não vai nos levar?

Países como Reino Unido e Espanha sofreram pesadamente com a crise econômica global, mas os eleitores espanhóis e britânicos elegeram partidos da oposição que prometiam apertar o cinto para arrumar as contas públicas e depois voltar a crescer. Votaram pela austeridade em plena crise porque ouviram e concordaram com os argumentos dos que a defendiam. E hoje começam a sair da crise com as finanças públicas mais fortes.

Corta para o Brasil. Quem ousa propor austeridade pública, um princípio no mínimo defensável em qualquer momento e especialmente aqui e agora, é acusado imediata e intensamente de insensibilidade com o povo, antipobre, pró-demissões, vendido aos banqueiros, capitalista desalmado etc.

Qualquer debate minimamente propositivo e esclarecedor é transformado deliberadamente numa lama que deixa tudo no chão. O cinismo adiciona insulto à injúria.

Assim como no resto da América Latina, o Estado é visto no Brasil como provedor natural de benesses à população tão sofrida e maltratada. O problema da solução populista é que, além de ineficaz, é sempre irracional e emotiva.

Os fatos são menos importantes que as ideias _uma verdade “maior” se impõe, mesmo que negue verdades verificáveis e históricas. O discurso do governo sobre a recessão (negando dado divulgado pelo próprio IBGE), sobre o atraso de obras (só não atrasa obra quem não faz obra) e sobre a corrupção (mais casos de corrupção são investigados agora porque o governo permite essas investigações) são exemplos de como se estima a inteligência popular.

James Carville, marqueteiro americano, cunhou frase imortal na primeira eleição de Bill Clinton contra Bush pai, em 1992: “É a economia, estúpido”. Fazia referência à crise econômica nos EUA que impediria a reeleição do presidente republicano. No Brasil, diante de uma estagnação em grande parte causada pelos erros grosseiros de política econômica do time Dilma, a eleição atual pode tropicalizar a regra de Carville para “é a estupidez, estúpido”.

Paulo Francis dizia (provavelmente citando alguém) que ninguém nunca perdeu dinheiro apostando na ignorância do povo. Talvez nem eleição. Como disse Lula, será um longo segundo turno.

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