Eike Batista: ex-bilionário quebra o silêncio e fala sobre o bloqueio de suas contas

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US$ 1 bilhão negativo. Esse é o valor que Eike Batista diz ser seu patrimônio, de acordo com suas contas, caso vendesse todas as ações de suas empresas. De sétimo homem mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em US$ 30 bilhões, Eike Batista diz hoje pertencer à classe econômica mais numerosa do país: a classe média.

Em entrevista à Folha, Eike diz ter sido um baque gigantesco voltar a fazer parte do grupo econômico que representa 54% dos brasileiros. “Nasci como um jovem de classe média e você voltar para isso…é um negócio para mim, sabe, é óbvio que é um baque gigantesco na família”, disse.

Suas contas foram bloqueadas pela Justiça para quitar danos causados pela suposta manipulação do mercado financeiro e negociação de ações com base em informação privilegiada. A investigação do MPF diz que, desde 2012, o empresário sabia das avaliações que apontavam a inviabilidade comercial dos reservatórios de petróleo. “As ações não eram minhas. Eram de credores e eram para pagar dívida com eles”, diz ele.

“O mercado é Darwinista”, afirma Eike Batista. Sobre a transferência recente de bens para membros de sua família, Eike afirmou que apenas começou a dividir os seus ativos com os filhos, baseando-se em um planejamento familiar, classificando tal coincidência [o bloqueio de suas contas logo após a transferência de bens para os filhos] como um “acidente”.

Mesmo com tropeços e prejuízos com a OGX e outras empresas do seu grupo, o empresário mineiro afirmou que ainda acredita no potencial do Brasil e vai continuar a dedicar o seu tempo na conclusão dos seus atuais projetos. “Na OGX, o que é petróleo? Você fura um poço e pode encontrar um campo de 10 bilhões de barris, ou não. A industria é assim”, disse Eike, que completou: “A companhia sobreviveu, está de pé, e virou uma “corporation”.

Quando perguntado sobre as busca de sócios para dar continuidade aos negócios e evitar a falência, ele revelou que firmou parcerias com o grupo norte-americano EIG, o Mubadala, de Abu Dhabi, e com o grupo alemão E.ON, responsável pela Eneva, join-venture com a EBX.

Ele relatou também que foi recentemente até a Coreia e ao Oriente Médio para continuar a busca por parcerias. No entanto, sobre possível sociedade com a brasileira Petrobrás, Eike disse que não esperou em momento algum que a estatal fosse entrar como sócia, porque, segundo ele, “a Petrobrás tem investimentos tão maciços que não vai entrar em nenhum projeto”.

Sobre o bloqueio de suas contas pelo MPF, Eike foi direto: “Não cabe a mim opinar sobre a justiça. Quem tem que opinar é o dr. Sérgio [advogado]”, disse ele.

O agora ex-bilionário relatou ainda que não ofereceu apoio e nem conversou recentemente com nenhum candidato à Presidência da República, e foi ríspido ao ser questionado sobre qual presidenciável sente mais simpatia. “Sou um brasileiro que constrói coisas pro Brasil. Eles que me agradeçam pela infraestrutura fantástica que eu dei ao país”, disse Eike.

Eike finalizou revelando o porquê de ter ficado em silêncio por todo esse tempo. “Por isso [pela má fase e pelas notícias que andam circulando na imprensa] que a gente está falando, está na hora de falar. Fiquei um ano parado para reestruturar tudo isso [a situação], e estamos falando agora”, disse ele.

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