A cabeça dos candidatos, nos pés

Dilma Rousseff, como se sabe, foi flagrada no encontro com o GLOBO usando sapatinhos da grife francesa Louis Vuitton, de couro de vitelo, com salto quadrado e baixo, aliando luxo discreto e conforto. Já Aécio desfila pela campanha com um modelo confortável da grife italiana Salvatore Ferragamo nos pés. Aliás, a título de curiosidade, o criador da grife italiana estudou anatomia, engenharia química e matemática na Universidade de Los Angeles. Queria fazer sapatos que “se ajustassem perfeitamente aos pés”. E o candidato do PSDB aprovou. Já Marina Silva não quer saber de grifes internacionais. Ela prefere os sapatos tipo boneca por causa de dores na coluna. Mas, quando precisa ser mais formal, veste scarpins. A candidata à presidência usa modelos da Beira Rio, que tem fábrica no Rio Grande do Sul criada em 1975 e onze show rooms espalhados pelo país. Marina também usa os modelos da Renner, a rede gaúcha fundada em 1912.

Dilma Rousseff, como se sabe, foi flagrada no encontro com o GLOBO usando sapatinhos da grife francesa Louis Vuitton, de couro de vitelo, com salto quadrado e baixo, aliando luxo discreto e conforto. Já Aécio desfila pela campanha com um modelo confortável da grife italiana Salvatore Ferragamo nos pés. Aliás, a título de curiosidade, o criador da grife italiana estudou anatomia, engenharia química e matemática na Universidade de Los Angeles. Queria fazer sapatos que “se ajustassem perfeitamente aos pés”. E o candidato do PSDB aprovou.
Já Marina Silva não quer saber de grifes internacionais. Ela prefere os sapatos tipo boneca por causa de dores na coluna. Mas, quando precisa ser mais formal, veste scarpins. A candidata à presidência usa modelos da Beira Rio, que tem fábrica no Rio Grande do Sul criada em 1975 e onze show rooms espalhados pelo país. Marina também usa os modelos da Renner, a rede gaúcha fundada em 1912.                         (Ana Cláudia Guimarães, em O Globo).

Elio Gaspari, na Folha de S.Paulo

Ora, direis, olhar sapatos. Parece uma trivialidade, mas é uma aula de economia e de costumes. Dilma Rousseff calça a marca francesa Louis Vuitton, e Aécio Neves, a italiana Ferragamo. Essa característica dos dois candidatos foi percebida pela repórter Ana Cláudia Guimarães. Se fizessem isso nos Estados Unidos, estariam fritos. Há tempo, o candidato democrata George McGovern comeu o pão que Asmodeu amassou porque visitou uma fábrica de sapatos calçando mocassins italianos.

O governo da doutora sobretaxa os sapatos chineses baratinhos e, com isso, encarece os produtos comprados pelo andar de baixo. Tudo bem, pois o Brasil já foi um dos maiores fabricantes de calçados do mundo e perdeu a posição. É compreensível que o setor receba algum tipo de proteção. Contudo fica difícil entender que um emergente não possa comprar sapatos chineses por R$ 50 e a presidente da República faça campanha calçando Vuitton (R$ 1.200 para um modelo simples).

No último ano, a indústria calçadista brasileira perdeu pelo menos 20 mil postos de trabalho. Há 20 anos, empregava 500 mil pessoas e, agora, ocupa 300 mil. O mercado interno encolheu e, em agosto, as exportações brasileiras de calçados caíram 3% em relação a 2013.

A doutora também poderia dispensar o xale Vuitton que usou na visita do papa e repetiu numa assembleia da ONU. Quando por nada, para evitar o único ponto que tem em comum com os hábitos de Fernando Collor. Ele viajava com um lote de malas dessa grife. O andar de cima nacional tem um fraco por etiquetas estrangeiras. Quase sempre, esse tique destina-se a sinalizar uma exorbitância de poder aquisitivo. Quem não se lembra da senhora Sérgio Cabral numa rua de Paris mostrando a sola vermelha de seus Louboutin (R$ 2.500 o par)? Enquanto essa preferência vem de cidadãos comuns, ninguém tem nada a ver com isso, mas, quando presidentes e candidatos vão a eventos públicos com semelhantes adereços, ensinam algo.

Os sapatos Ferragamo de Aécio Neves estão na mesma faixa de preço dos Vuitton de Dilma, e sua grife estabeleceu-se a partir da qualidade e do conforto de seus produtos. No dois casos, pode-se argumentar que esses sapatos seriam mais confortáveis, pois usam couros finos. Vá lá, mas se o negócio é conforto nos pés, o problema já foi resolvido pela rainha Elizabeth. Antes de calçá-los, ela os manda para que senhoras os usem, amaciando-os.

Aécio e Dilma contrapuseram-se a Marina Silva. Ela usa sapatos das marcas Beira Rio e Renner (R$ 100 pelo par). Logo da Renner, uma marca fundada no início do século 20 por um neto de alemães. Ela teve uma linha de produção de louças e o general Ernesto Geisel usava um jogo de pratos Renner em casa, com as suas iniciais. Ganhara-os de um membro da família que fora seu companheiro de infância em Bento Gonçalves (RS). Quando ia deixar o governo, um grupo de grã-finos quis presenteá-lo com um serviço de porcelana que pertencera ao magnata Eduardo Guinle. Chiquésimo. Mandou-os passear e divertia-se mostrando a louça banal mandada pelo amigo.

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