Eu não tenho nojo de política

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Por Fabrício Cunha

Acabei de ler um pequeno texto do Júlio Zabatiero. Concordo quando ele diz que “não há neutralidade em política. Não há ausência de política no exercício do poder religioso. Não se confundam, não se enganem. As pregações pastorais são, sempre, políticas. São políticas pelo exercício de poder. Só quem não saiu do jardim de infância ainda pensa que política só tem a ver com partidos e eleições. Política tem a ver com o exercício do poder, em todas as relações, em todos os níveis da vida social. ”

Todo cidadão é um ser político e precisa ter consciência disso para o melhor exercício possível de sua cidadania.

Nosso desencanto com a política, nos afasta do intransferível exercício de nossa cidadania por meio da escolha de nossos governantes na eleições, o que é uma péssima opção.
Quem tem nojo de política, será governado por alguém que não tem, mesmo que esse alguém seja “nojento”, aprendi com o Frei Beto e com o Bispo Robinson Cavalcanti.

Mas não é somente por meio da militância político-partidária (a maior causa de afastamento do interesse dos cidadãos em política) que se exerce a política. Existem, pelo menos, três opções:

1. O exercício da cidadania via eleições – é para todos. Por isso é preciso envolver-se nas campanhas eleitorais, não necessariamente fazendo campanha para alguém, mas conhecendo o mais de perto possível o candidato que receberá o seu voto. Mais do que isso, acompanhar os mandatos de seus candidatos e avaliar seus projetos e o cumprimento do que foi prometido. Todos estamos inseridos nessa área;

2. A discussão de políticas públicas – O Estado não consegue cumprir todas as suas responsabilidades e precisa contar com outras instituições e com os cidadãos que o compõem. Mesmo que desencadeadas pelo Estado, tais discussões em vistas do bem comum, devem ser protagonizadas pelos cidadãos do Estado. Isso quer dizer que ninguém melhor do que você, para discutir melhorias na área da saúde, educação, saneamento, segurança, tendo como ponto de partida o posto de saúde de seu bairro, a escola da vizinhança, os índices de segurança de sua região, etc. Discutir políticas públicas é cooperar com o Estado na geração do bem coletivo visando a emancipação de todas as pessoas. Todos devemos nos envolver com essa área;

3. Política partidária – acredito que nossa peregrinação por essa terra só terá sentido se investirmos nossas vidas no exercício de nossas vocações. Acredito que existam pessoas vocacionadas para ocuparem cargos políticos visando a boa política. Nosso desalento se dá pelo fato de que não reconhecemos as vocações de muitos dos políticos eleitos, exatamente por não serem pessoas chamadas para tal. Muitos são oportunistas, manipuladores que reclamam para si prerrogativas que são de todos, populistas que advogam em favor de segmentos minoritários que dão base para seu mandato. Mas não podemos demonizar todo um ambiente pelo fato de muitos de seus ocupantes serem corruptos. Em todos os segmentos, existem pessoas boas e sérias, pessoas más e corruptas, pessoas que estão no lugar certo, exercendo suas vocações, pessoas aproveitando-se de um lugar, fazendo dele sua ocupação, para a realização de seus próprios interesses. Se você tem vocação para a política, responda ocupando o espaço que é teu. Se não é vocacionado, escolha alguém que seja, mas não se meta onde não foi chamado. Esse espaço é para pessoas que têm um chamado para a “vida pública”.

Portanto, todos somos chamados ao exercício da cidadania política, usando nosso principal instrumento democrático, o voto. Todos, também, devemos nos envolver com a discussão de políticas públicas, atentando para sua aplicação em nossos contextos imediatos e maiores em vistas da promoção da justiça e do bem comum. E apenas alguns são vocacionados para ocuparem os espaços públicos e reconhecemos isso quando: 1. o candidato tem projeto que gera mudanças estruturais que geram benefícios comuns, priorizando o pobre e todo tipo de excluído, visando a uma sociedade melhor e mais justa para todos; 2. o candidato tem história que autentica tais projetos com a chancela de um caráter irrepreensível ; 3. quando acompanhamos não só o processo de proposição mas também o cumprimento daquilo que se propôs.

Assim, ocupe seus lugares de direito com responsabilidade e engajamento e escolha os seus representantes políticos com sabedoria e critério, fazendo, assim, a política que poderá, de fato, mudar alguma coisa para melhor.

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