Cientistas defendem que spoilers fazem telespectadores se interessarem mais pela história

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Publicado na Folha de S. Paulo

Você já se perguntou porque algumas pessoas adoram saber o que vai acontecer nos próximos capítulos da novela, enquanto outras chegam a terminar amizades porque o colega contou sem querer um spoiler de sua série favorita?

A palavra “spoiler” vem de “spoil”, que em inglês significa estragar. Mas um grupo de cientistas comprovou por meio de uma pesquisa que nem sempre os spoilers estragam as histórias.

No estudo científico, publicado na “Psychological Science”, intitulado “Spoilers de histórias não estragam histórias”, os cientistas pediram a 900 estudantes da Universidade da Califórnia, San Diego, para ler contos policiais de autores como Agatha Chrtistie, Roald Dahl, John Updike e Raymond Carver.

Cada estudante recebeu três contos, alguns com um parágrafo revelando o grande mistério, e outros sem nenhum spoiler. Depois, eles deram notas para as histórias.

Dos doze contos, apenas um teve notas piores dadas por quem leu os spoilers. Os outros onze foram melhores ranqueados por quem já sabia o que ia acontecer.

“Os sujeitos significativamente preferiram as histórias com spoilers do que sem”, concluiu a pesquisa.

Uma explicação para isso é de que o telespectador ou leitor fica tão focado em descobrir a grande revelação de uma história, que passa batido por vários detalhes interessantes.
Em texto publicado na revista “The Atlantic”, o autor Adam Sternbergh usa o exemplo do filme “Cidadão Kane”, de Orson Welles.

“Não acho que ‘Cidadão Kane’ (1941) é uma experiência pior se você já sabe que [alerta spoiler!] Rosebud é um trenó. Na verdade, o trenó não tem nada a ver com o que torna o filme ótimo”, diz Sternbergh. “Se você já viu algum filme bom na vida com uma grande revelação, você provavelmente teve imediatamente a vontade de assistir de novo. E pela minha experiência, a segunda vez é sempre mais satisfatória do que a primeira. É nela que você nota todas as coisas que perdeu quando estava ocupado esperando pela grande revelação”.

A teoria é de que nossa antecipação da surpresa acaba tirando 99% da nossa apreciação do filme. Psicólogos observaram que quando consumimos livros, filmes e músicas pela segunda (ou terceira, ou centésima vez), a história se torna mais fácil de processar, e associamos essa facilidade a um prazer estético.

Uma segunda teoria é de que as audiências de grandes “blockbusters” geralmente já sabem o que vai acontecer no final dos filmes, que têm fórmulas convencionais. Como filmes de super-heróis, por exemplo. Se o público de “Guardiões da Galáxia” fosse questionado antes de entrar no filme sobre o que acontece com o protagonista no final, provavelmente quase 100% diria que o personagem vai sobreviver. Saber o final, no entanto, não tira o prazer dos telespectadores.

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