Crivella condena postura de pastor que aparece em vídeo pedindo votos dentro de uma Igreja Universal

‘Acho que não se devia fazer nenhuma política dentro de igrejas’, disse o candidato do PRB

Crivella caminha na feira de Campo Grande (foto: Fabio Seixo / Agência O Globo)

Crivella caminha na feira de Campo Grande (foto: Fabio Seixo / Agência O Globo)

Rafael Galdo, em O Globo

Em caminhada com a militância do PT neste domingo em Campo Grande, na Zona Oeste, o candidato do PRB ao governo no Rio, Marcelo Crivella, condenou a campanha política dentro de igrejas. Num vídeo publicado neste fim de semana pelo GLOBO, um pastor da Catedral da Fé, da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), em Del Castilho, aparece pedindo explicitamente, na antevéspera do primeiro turno, que os fiéis votassem em Crivella e em candidatos a deputado do PRB. O senador, no entanto, afirmou que “igreja não é lugar de pedir voto”.

– Acho que não se devia fazer nenhuma política dentro de igrejas. Eu não faço desde que me elegi. E, antes disso, também nunca fiz. Agora, compreendo. Está todo mundo muito revoltado com a questão da saúde, do transporte e, sobretudo, com a corrupção, com a roubalheira do governo. Então, às vezes, as pessoas extravasam aquilo que não deviam fazer. Eu não recomendo – defendeu-se Crivella, que na última semana tem sofrido ataques do seu adversário, Luiz Fernando Pezão (PMDB), que o tem relacionado repetidamente à Iurd.

Na propaganda política na TV deste sábado, por exemplo, a aliança do peemedebista exibiu uma reportagem de 1995, do Jornal Nacional, da Rede Globo, em que o bispo Edir Macedo, líder da Iurd, aparece num vídeo amador orientando pastores sobre como proceder diante dos fiéis e arrecadar dinheiro dos religiosos. Macedo é tio de Crivella. E Pezão vem insistindo, neste segundo turno, em referências ao bispo, para vinculá-lo a seu opositor. O senador, no entanto, classificou o programa de TV como “baixaria”.

– Ele está tentando ganhar apelando, botando a mão na bola. São coisas de 15 anos atrás, já passadas e superadas – diz Crivella. – Acho que nem devo responder. Agora o povo vai responder nas urnas, porque tem horror à baixaria. Isso é choro – completou.

Por outro lado, Crivella voltou a ligar o peemedebista ao ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), chamando Pezão de “Cabrão”. E insinuou que o tom da campanha de seu adversário na segunda rodada do pleito é mais próprio de Cabral do que de Pezão.

– O Pezão acho até que reagiria melhor. Mas o Cabral não admite ficar agora sem os helicópteros e perder o dinheiro do governo para ir a Paris, fazer festas com guardanapos – disse o senador.

Durante a caminhada, numa feira em Campo Grande, tanto a militância do PT quanto a do PRB fizerem campanha também para a presidente Dilma Rousseff (PT), com músicas relacionando Crivella à petista. O senador novamente pediu votos à aliada. Ele já tinha feito um discurso na feira, sem citar Dilma, quando retornou ao microfone para falar sobre a postulante à reeleição, destacando o veto dela à redistribuição dos royalties do petróleo.

CANDIDATO DIZ QUE MANTERÁ O ‘RIO SEM HOMOFOBIA’

No dia em que ativistas LGBT convocaram, pela internet, uma parada gay não oficial em Copacabana (que ganhou o nome de I Nova Parada LGBT, com objetivo de exigir que os candidatos à Presidência se posicionem sobre temas como a criminalização da homofobia), Crivella também se comprometeu com a continuidade de programas e de direitos da população homossexual no Rio. Segundo ele, se eleito, vai manter o programa Rio Sem Homofobia, criado no governo Cabral para implementar a política LGBT no estado.

– Vou manter o programa Rio Sem Homofobia e todos os direitos, além de ser contra qualquer tipo de violência, seja física ou mesmo psicológica. Quero respeitar os homossexuais, assim como espero que eles me respeitem – disse Crivella, dias depois de lideranças da causa LGBT se articularem para pregar uma campanha contra o senador que, segundo eles, ameaçaria as conquistas obtidas pelo movimento nos últimos anos.

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