Alice Ferraz, idealizadora de curso de graduação para blogueiras, diz: “Isso não é uma piada”

Alice Ferraz - empreendedora criou o primeiro curso de graduação de Mídias Digitais do mundo (foto: Reprodução F*Hits)

Alice Ferraz – empreendedora criou o primeiro curso de graduação de Mídias Digitais do mundo (foto: Reprodução F*Hits)

Bruno Astuto, na Época

Na última semana a divulgação de um novo curso de graduação pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo causou furor nas redes sociais. “Eu sou blogueira. Essa é a minha profissão e agora pode ser a sua”. O slogan do curso de Mídias Sociais Digitais é bem atrativo e acompanha as novas tendências em comunicação – os blogs. Mas o público não curtiu muito e condenou a graduação de dois anos com mensagens agressivas e irônicas: “Fazer uma faculdade ‘de verdade’ ninguém quer” ou “Era só o que faltava… Como serão as matérias? Look do dia?, Como tingir o cabelo de louro?”.

O curso é o primeiro do mundo e foi idealizado por Alice Ferraz, relações públicas, blogueira, fundadora e CEO da Alice Ferraz Comunicação Integrada e da F*hits, que inclui 27 blogs com mais de nove milhões de visitas únicas, 30 milhões de page views por mês e quatro milhões de seguidores no Instagram, hoje um dos principais nomes da moda no Brasil e um dos 500 nomes mais influentes do mercado mundial, segundo o site britânico de Negócios da Moda, o Business of Fashion. “Quando surgiu a primeira faculdade de moda todo mundo também criticou. Há quatro anos, quando montei o F*Hits, senti necessidade de profissionalização. Ter um blog é uma profissão. A blogueira trabalha e ganha dinheiro com isso, não é uma piada”, diz Alice.

Na programação do curso, aulas de Marketing Pessoal, Styling, Estética e Felicidade, Digital Branding, Antropologia Cultural, Legislação, ética e direito de imagens, entre tantas, que somam 1920 horas de aula em quatro semestres. Carol Garcia é a coordenadora, jornalista, mestre e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e diretora de relações internacionais da ABEPEM.  “Há um ano procurei a Belas Artes porque eu achava que o curso merecia uma coisa séria e eles disseram que estavam recebendo vários pedidos no sentido de mídia digital. Todo mundo diz que as blogueiras escrevem mal, vamos profissionalizar e diferenciar de vez o jornalismo da blogueira porque uma coisa não tem nada a ver com a outra. Essa é uma profissão que a juventude abraçou. Tenho investidores no F*Hits e as mídias sociais são negócios. Estou tentando profissionalizar. Tinha uma carência no mercado. Tive a ideia e a Belas Artes foi incrível. Não é uma piada para eles e eles não fazem nada mais ou menos”, afirma Ferraz.

Algumas famosas blogueiras, no entanto, não estão de acordo, caso de Thássia Naves, considerada uma das mais influentes do mundo por especialistas em moda. “Acho que estudar é sempre válido, mas talvez seja cedo demais para esse tipo de graduação. A Internet no Brasil ainda precisa de regulamentação, de leis mais claras. E os blogs não podem perder a espontaneidade, não têm fórmula. Daqui a dois anos, quando a primeira turma tiver se formado, tudo já vai ter mudado. A Internet não tem fórmula”, diz, categórica.

Opinião compartilhada pela recifense Camila Coutinho, do blog Garotas Estúpidas, de Recife: “Eu acho maravilhoso, mas não exatamente uma graduação de blogueira. O curso poderia ser mais abrangente, tipo Mídias Digitais”.

A primeira turma vai prestar o vestibular no fim deste ano e as aulas começam em 2015 – a procura está grande. “As pessoas pensam que vai ser uma coisa de brincadeira, uma piada, mas o corpo docente é todo especializado, capitaneado pela Patricia Cardim (diretora da Belas Artes) e pela Carol, formado por professores com mestrado, doutorado e pós-doutorado, mas vamos ter palestras e debates com blogueiras e profissionais do mercado para mostrar na prática como as coisas funcionam”, explica Alice.

“Está lindo, impressionante e despertando interesse de instituições em outros estados. Tenho uma demanda de gente que me procura querendo ser blogueira que é uma loucura. Os números são inacreditáveis. Existe uma demanda de mercado e por que não ter uma graduação disso?”.

Thássia Naves - blogueira não é favor de graduação (foto: Reprodução blog da Thássia Naves)

Thássia Naves – blogueira não é favor de graduação (foto: Reprodução blog da Thássia Naves)

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