Identificados jovens que seriam de grupos que fazem pacto suicida nas redes sociais

Os dois adolescentes se enforcaram em suas casas e tinham a mesma idade: 15 anos. (foto: Reprodução Faceook)

Os dois adolescentes se enforcaram em suas casas e tinham a mesma idade: 15 anos. (foto: Reprodução Faceook)

Publicado no Diário do Vale

Integrantes de dois grupos de uma rede social – um conhecido como “Eu, posso” e o outro como “roleta” – foram identificados pela polícia. A administradora de um dos grupos que promove pacto suicida já foi, inclusive, identificada, mas não teve o nome revelado. Entre os participantes de um dos grupos tem uma menor de 12 anos, segundo informou a polícia. Alguns pais e funcionários da escola já foram localizados e outros foram ouvidos no fim de semana.

No fim de semana, o delegado da 93ª DP (Volta Redonda), Antônio Furtado, recebeu novas denúncias dos grupos de redes sociais que estariam induzindo jovens a cometerem suicídios. A polícia, no entanto, não quis dar maiores detalhes para não atrapalhar as investigações, iniciadas após dois alunos do Colégio Municipal Getúlio Vargas cometerem suicídio num prazo de sete dias. Os dois se enforcaram em suas casas e tinham a mesma idade: 15 anos. Segundo parentes de uma das vítimas, um grupo de uma rede social teria incitado o suicídio.

– Estamos investigando todas as informações sobre esses grupos de roleta russa. Nós já estamos sabendo do caso de uma menina que, em conversa com uma amiga, disse que se trata de um pacto de morte feito na internet e que ela seria a próxima a cometer o suicídio. Nós já localizamos o pai dela e estamos aguardando a presença dele na delegacia para conversar e tentar impedir que isso aconteça – afirmou Furtado.

O delegado disse que está investigando os participantes desses grupos e que eles podem responder criminalmente.

– Como disse, na sexta-feira, se verificarmos que há participação de maiores de idade podemos indiciá-los pelo crime de induzimento ao homicídio, com pena de até 20 anos. Os menores poderão ser apreendidos e ficam internados, como uma medida socioeducativa, por até três anos por ato infracional análogo ao crime de homicídio.

Estudantes com medo

No sábado, o DIÁRIO DO VALE recebeu, além de imagens dos grupos, relatos de alunos do Colégio Getúlio Vargas afirmando estarem com medo de que novos casos de suicídios aconteçam no colégio.

Uma aluna gravou um áudio relatando a situação. Em um dos trechos, ela diz que circulam vários boatos sobre as motivações para o suicídio de Gabriel e Maisa. Segundo a menina, há um grupo, com a participação de cinco adolescentes, todos homossexuais, em que todos iriam morrer e com o suicídio de Maisa e Gabriel restariam outros três jovens.

– O negócio na nossa escola tá bem pesado. Uma colega estava escrevendo no quadro e quando se virou disse ter visto a alma de Maisa e logo desmaiou- disse a jovem num áudio que circula no WhatsApp.

Em um trecho ela cita um outro grupo com a participação de 17 adolescentes. Ela diz não saber se são todos do Colégio Getúlio Vargas ou se há adolescentes de outras unidades de ensino. No final ela pede ajuda e orações para a escola voltar á normalidade.

– Sinceramente se não fizermos nada isso será cobrado de cada um de nós, precisamos agir. Peço que você orem por cada um, para que cada um possa fazer momentos de oração por todos os jovens – acrescentou a jovem.

Fevre emite nota sobre o caso

A Fevre (Fundação Educacional de Volta Redonda)emitiu nota na sexta-feira sobre o suicídio de dois alunos do Colégio Municipal Getúlio Vargas, ocorridos em suas residências, nas duas últimas semanas. A fundação informou que buscou o apoio dos órgãos competentes do município para dar a assistência necessária à direção do colégio em seu trabalho de restabelecimento da ordem afetiva.

A nota informou ainda que foi montada uma equipe envolvendo a Secretaria Municipal de Saúde – através dos Psicólogos do Programa de Saúde Mental, da Área Técnica Programática da Saúde da Criança e do Adolescente, do CAPSI (Centro de Atenção Psico-Social) – os implementadores educacionais da Secretaria Municipal de Educação, Membros do Conselho Tutelar, psicólogos da Secretaria Municipal de Ação Comunitária, Secretaria Municipal de Políticas Públicas para a Mulher, o serviço de Orientação Educacional do Colégio e a equipe pedagógica da Fevre.

– Essa equipe quando tomou ciência do estado emocional em que se encontra a comunidade escolar fez a proposta de assistência à unidade escolar durante esse período que antecede o final do ano letivo, iniciando, já a partir das 13h de sexta, um trabalho junto aos professores e alunos – explica a nota.

“A Fevre e a equipe ora constituída, sensibilizadas com o ocorrido e cientes da importância de um trabalho preventivo, já está estabelecendo um cronograma de atendimento a toda essa comunidade”, conclui a nota.

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