Cerca de 20% dos americanos são “procrastinadores crônicos”

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Publicado no The New York Times [via Folha de S.Paulo]

Esperei até o último minuto para escrever este texto. Esse fato não deve surpreender a ninguém.

Afinal, como Anna Della Subin escreveu no “NYT”, “a procrastinação é o arquidemônio com quem muitos de nós nos atracamos diariamente”.

Editora colaboradora da revista cultural “Bidoun”, Subin citou uma estimativa segundo a qual 20% dos americanos seriam “procrastinadores crônicos”.

Para alguns de nós, essa cifra parece muito baixa e mereceria ser pesquisada mais a fundo. Porém, vale a pena refletir sobre outra estimativa citada por Subin: que trilhões de dólares são perdidos todo ano devido a funcionários que atrasam ou adiam suas tarefas. Esses atrasos podem custar caro não apenas à economia como um todo, mas também aos próprios funcionários.

O professor de economia Sendhil Mullainathan, da Universidade Harvard, descreveu essa “luta” no “NYT”: “Amanhã queremos terminar aquele memorando, rever vários arquivos e planejar aquele projeto. Sabemos que parte do trabalho será entediante, mas os benefícios decorrentes, como avanço na carreira, senso de realização ou simplesmente garantir a sobrevivência, pesam mais que os custos. Mas, quando o amanhã vira hoje, descobrimos um sem-número de problemas urgentes. O tédio que prevíamos de repente parece imenso. Sentimos a tentação de tirar uma folga e simplesmente deixar nossa mente viajar livremente.”

Está claro que os procrastinadores têm consciência do que está acontecendo. Mullainathan descreveu um estudo em que ele e outros pesquisadores fizeram uma oferta a funcionários na Índia que registravam dados. Eles poderiam receber o valor diário de praxe, independentemente de quantas unidades de trabalho completassem. Ou poderiam aceitar um contrato pelo qual receberiam o mesmo valor diário, mas definiriam uma meta de trabalho diário a concluir, com a seguinte ressalva: se não alcançassem a meta, o pagamento do dia será cortado pelo meio. “As pessoas escolheram o segundo contrato, porque as ajudava a se esforçar mais e a ganhar mais”, escreveu Mullainathan.

Esse tipo de incentivo é um dos elementos que caracterizam a industrialização. Mullainathan destacou a afirmação de Greg Clark, professor da Universidade da Califórnia, em Davis, para quem a Revolução Industrial “foi em parte uma revolução do autocontrole”. “Como diz o professor Clark, em tese provocante: ‘Na prática, os trabalhadores contrataram capitalistas para fazê-los trabalhar mais duro. Eles não tinham o autocontrole necessário para conseguir ganhos mais altos por conta própria.'”

Assim, a fábrica trouxe disciplina que rendeu frutos tanto aos empregadores quanto aos operários. Mas Richard Conniff, que escreve sobre a produtividade de outras espécies, gostaria que todos relaxassem por um instante.

Ele escreveu no NYT: “Estou farto de fazer de conta que a utilidade é algo com importância real”.

Em seu trabalho, Conniff frequentemente é chamado a defender espécies silvestres ameaçadas. “É meu trabalho convencer as pessoas de que deveriam se importar”, escreveu. Isso geralmente requer chamar a atenção das aplicações práticas com que essas espécies beneficiam os humanos, como, por exemplo, um curativo mais suave para pele sensível, que imita a seda das teias de aranha.

Conniff entende a política de se atribuir metas de produção a aranhas, cobras ou abelhas. Mas, em última análise, para ele, a verdade é que: “A fauna e a flora são e deveriam ser inúteis, do mesmo modo que a arte, a música, a poesia e até os esportes são inúteis. São inúteis no sentido de que não fazem mais que levantar nosso astral, nos fazer rir ou chorar, nos assustar, nos perturbar ou nos alegrar. Eles nos conectam não tanto ao que é estranho, diferente ou outro, mas a um mundo em que nós, humanos, não temos tanta importância.

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