Diante de pedido de ação militar, Lobão abandona ato anti-Dilma

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Publicado na Folha de S. Paulo

Um protesto contra o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) chegou a reunir neste sábado (15) cerca de 10 mil pessoas, de acordo com a Polícia Militar, antes de se dividir por completo por volta das 16h.

Entre os manifestantes anti-Dilma havia um grupo de pessoas que eram também a favor da intervenção militar, causa que repeliu parte dos presentes. Entre os incomodados estava o cantor Lobão. Um dos personagens que marcaram as eleições presidenciais de outubro, Lobão ensaiou participar da manifestação, mas desistiu em poucos minutos.

Ao chegar à Avenida Paulista, ponto de encontro do protesto, vestindo uma camiseta com a palavra “democracia”, Lobão se deparou com um carro de som do MBR (Movimento Brasileiro de Resistência), que pedia a intervenção militar no país. Irritado, o cantor deu meia volta e foi embora.

Um grupo permaneceu na Paulista, enquanto outro, maior, caminhou em direção à Praça da Sé. Ambas as divisões pediram o impeachment de Dilma e a anulação do resultado das eleições de outubro.

Já um terceiro grupo, com número menor de pessoas, defendia a intervenção militar. Eles –os que aborreceram Lobão– seguiram até o Segundo Comando Militar do Sudeste.

Segundo relatos ouvidos pela Folha, Lobão afirmou a participantes da manifestação que não concorda com reivindicações que fazem referência à volta do regime militar no Brasil.

Lobão se queixou, no Twitter, daqueles que pregam a volta da ditadura: “Cilada infame! Eu chego no MASP [Museu de Arte de São Paulo] e a primeira coisa que vejo é um mega caminhão com um cartaz com os dizeres ‘Intervenção Militar Já’! Palhaçada!”

“Um monte de gente indo embora desapontadíssima com essa invasão de cretinos da extrema direita”, acrescentou.

Durante a campanha, Lobão causou polêmica ao dizer que deixaria o país caso Dilma fosse reeleita. Mas voltou atrás após a vitória da presidente.

A concentração do ato começou às 14h e a maior parte dos presentes pedia o impeachment de Dilma e a anulação do resultado das eleições de outubro.

“Fora PT”, “Fora Dilma”, “Não ao controle da mídia”, “Liberdade econômica e política” e “Lula e Dilma eram os chefes do Petrolão” foram algumas das mensagens em bandeiras e cartazes erguidos pelas pessoas, a maioria delas vestindo camisetas do Brasil.

“Estamos aqui hoje não pela intervenção militar, mas pela liberdade. Fora PT”, disse um representante do movimento Revoltados Online, um dos responsáveis pela organização.

Algumas bandeiras de Aécio Neves (PSDB), derrotado na disputa pelo Planalto, eram erguidas em meio aos cartazes.

Depois que o protesto estava completamente dividido, Lobão anunciou no Twitter que iria se reencontrar com as cerca de mil pessoas–segundo contagem da PM– que foram em direção à Praça da Sé. São os manifestantes que são contrários a Dilma, mas não chegam a pregar a intervenção militar.

“Todo mundo pra praça da Sé!”, postou na rede social por volta das 17h. Devido às próprias idas e vindas, Lobão teve que desmentir boatos de que sua conta no Twitter havia sido hackeada e vandalizada. “Atenção rapaziada, aqui vai um vídeo para mostrar que eu não fui hackeado e convocando a galera pra sé”, escreveu ao compartilhar um filme como prova de que ainda controlava a própria conta.

No vídeo, se posiciona novamente contra a volta da ditadura.

‘NÃO É O CASO’

O senador do PSDB Aloysio Nunes (SP), candidato a vice na chapa derrotada de Aécio, esteve no protesto.

“Vim para participar da manifestação”. Questionado se era a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o tucano disse que “não é o caso no momento”.

“Nosso centro tem que ser o combate à corrupção, apuração das denúncias e punição dos responsáveis. O impeachment é questão a ser vista quando tiver provas concretas, provas jurídicas”, explicou. “Claro que PSDB apoia [a manifestação], estou aqui”.

Deputado eleito pelo PSC, Eduardo Bolsonaro discursou e disse que “uma plateia seleta, tem o meu crédito”. “Aqui não tem baderna, a Polícia Militar não vai deixar ter baderna”, afirmou.

Coronel Telhada, deputado eleito pelo PSDB, por sua vez, afirmou que “lugar de bandido é na cadeia, e não governando”.

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Comentários

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1 Comentário

  1. Adjalbas Pereira disse:

    Os que querem dar uma mamadinha, também,nas tetas do governo,não querem que isso acabe,e aí não querem a intervenção militar,pois vai acaba a mamata.Esse lobão e outros oportunistas se fazem de paladinos da nação,achando que todo o mundo é idiota.Sabemos bem o que querem e não vamos permitir que esta farra continue.

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