Janot: uma fala firme que surpreende e irrita o governo

Janot (dir), ao lado do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (foto: Sérgio Lima/Folhapress)

Janot (dir), ao lado do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (foto: Sérgio Lima/Folhapress)

Cristiana Lôbo, no G1

O procurador-geral da República, Roberto Janot, fez nesta terça-feira, duras críticas à gestão da Petrobras, defendeu a troca de toda a diretoria da companhia e afirmou que “corruptos e corruptores devem experimentar o cárcere”.

Tão duras afirmações surpreenderam o governo e provocaram irritação. Até porque a fala de Janot confronta com a estratégia do Palácio do Planalto que, até aqui, era a de mostrar ações combate à corrupção na gestão de Graça Foster e oferecer investigações na companhia no período anterior à chegada da nova diretoria.

“Janot colocou todos no mesmo balaio”, afirmou um auxiliar do governo sobre o discurso do procurador-geral.

Em várias ocasiões, a presidente Dilma Rousseff deu indicações de que pretende manter Graça Foster na presidência da Petrobras como “comandante da faxina” na maior estatal brasileira. A fala de Janot não faz distinção à gestão de Graça – segundo fontes do Ministério Público, porque documentos da Operação Lava Jato indicam que a corrupção na companhia continuou mesmo depois da chegada dela à presidência.

Em seu discurso, Janot fala ainda que a Petrobras deveria agir “de forma colaborativa com o Ministério Público”. É aí que alguns viram um recado do procurador para o próprio Ministério Público, notadamente, para a força-tarefa que conduz as investigações da Operação Lava Jato no Paraná. Segundo pessoas ligadas a Janot, ele reage às afirmações de que estaria negociando com advogados de empreiteiras acordos para que corruptores escapem da prisão.

Por isso, ele afirmou hoje que não existe acordo sem reconhecimento de culpa. Além disso, ele quer o pagamento de multas muito elevadas. Isso confronta com o interesse de empreiteiras que propõem, por suas defesas, um acordo para pagamento de multa e suspensão temporária de execução de obras públicas. Mas Janot acha que deve incluir, também, punição aos corruptores – “corruptos e corruptores devem experimentar o cárcere”, como disse na manhã desta terça-feira.

Com estas declarações, Janot adota o tom do Ministério Público e conquista apoio de procuradores. Vale lembrar que o mandato dele se encerra em setembro de 2015 e, se quiser ser reconduzido, ele precisa de apoio interno para ter o nome encaminhado. A equipe de Janot nega que as declarações dele sejam motivadas por esse interesse.

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