Suspeito de desvio de verba, prefeito de Itaguaí diz que Ferrari, TV e helicóptero são de amigos

Luciano Mota nega acusação da Polícia Federal. Segundo investigações, esquema renderia cerca de R$ 30 milhões por mês

Para Luciano Mota, a PF cometeu um engano (foto: Adriana Lorete / Agência O Globo)

Para Luciano Mota, a PF cometeu um engano (foto: Adriana Lorete / Agência O Globo)

Rodrigo Bertolucci, em O Globo

Aguardado desde a última quinta-feira para prestar depoimento à Polícia Federal sobre a suspeita de comandar um esquema que desviava até R$ 30 milhões por mês dos cofres de Itaguaí, o prefeito Luciano Mota (PSDB) negou, nesta segunda-feira, a acusação e disse ao GLOBO ser um homem simples, que comprou somente um apartamento, por meio de um financiamento. Ele afirmou que espera apenas uma marcação de horário para dar esclarecimentos a investigadores e frisou não ser o dono de uma Ferrari amarela apreendida por agentes: dirigiu ‘‘duas vezes’’ o carro avaliado em R$ 1,2 milhão, que pertenceria a um amigo cujo nome não quis revelar. Mota também afirmou que foi um outro amigo que comprou (por quase R$ 100 mil) a TV de 89 polegadas encontrada por agentes em sua casa. E o prefeito ainda garantiu que a PF se enganou ao apontá-lo como suposto proprietário de um helicóptero. A aeronave, com a qual deu ‘‘três voltas’’, seria ‘‘de um conhecido’’.

— Nada disso é meu. Tudo que disseram é mentira, ainda estou perplexo com as acusações. A Ferrari, por exemplo, nem estava comigo quando foi apreendida, estava com o próprio dono — afirmou o prefeito. — Meu mesmo, só havia um apartamento em Nova Iguaçu, que comprei em 2011 por R$ 179 mil e repassei para meu pai em 2013, por R$ 600 mil. Outra coisa: a TV não é minha, já pedi ao dono para vir buscar.

De acordo com um inquérito da Polícia Federal, um esquema montado dentro da prefeitura desviava cerca de um terço da receita mensal de Itaguaí, estimada em R$ 90 milhões. O delegado Hylton Coelho, chefe da delegacia de corporação em Nova Iguaçu e um dos responsáveis pelas investigação, informou que um grupo formado por 50 pessoas, entre servidores e empresários, forjava contratos de prestação de serviços à prefeitura usando firmas de fachada ou dirigidas por ‘‘laranjas’’. Segundo o policial, a quadrilha desviava dinheiro que era repassado à prefeitura pelo governo federal: seriam recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) e royalties do petróleo.

PUBLICAÇÃO DE CONTRATOS

Mota negou as acusações e prometeu disponibilizar todos os contratos da prefeitura de Itaguaí para análises da Polícia Federal:

— Nossas licitações sempre foram publicadas em jornais de grande circulação no estado. E processos que seriam pagos com recursos federais, como royalties do petróleo, sempre constaram nos diários da União.

Dizendo ser um homem muito religioso, Mota, de 32 anos, afirmou ter a certeza de que está enfrentando “atribulações’’ que testam sua fé.

— Minha vida começou a mudar quando fui para uma igreja evangélica. Isso tem mais de 15 anos e foi ali que comecei a crescer, sempre com a ajuda de meu pai. Sou revoltado com corrupção, não aceito isso na minha gestão. Entrei na política com uma nova proposta não só para o meu município e o Estado do Rio, mas para o país. Quero mostrar que os jovens não são apenas bons de votos, mas de realizações. Não entro no mérito de certas perseguições, isso são coisas que fazem parte da política — disse o prefeito, acrescentando que não se tornou prefeito para ganhar dinheiro.

— Minha família está bem de vida há mais de uma década. Eu entrei para a política em 2012. Não melhorei de padrão depois que virei prefeito. Já tinha uma vida de qualidade.

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