Críticos afirmam que ‘A entrevista’ é mediano e não vale toda a polêmica

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Publicado no G1

Na tarde desta quarta (24), a Sony liberou o filme “A entrevista” no YouTube, Google Play, Xbox Video e no site SeeTheInterview.com para os norte-americanos, além de confirmar que o filme será exibido em mais de 200 salas de cinema nos EUA. Apesar das versões piratas que já circulam pela internet, no Brasil não há a possibilidade de fazer o download pago do filme. Estrelada por James Franco e Seth Rogen, a comédia entraria em cartaz aqui no dia 29 de janeiro, mas teve seu lançamento cancelado, sem previsão de uma nova data.

Com a disponibilização online de “A entrevista”, paródia sobre um plano da CIA para assassinar Kim Jong-un, ditador da Coreia do Norte, vários críticos de cinema publicaram suas opiniões sobre o filme. “Infelizmente ofuscado pela polêmica (e tirado de exibição como resultado), o roteiro de ‘A entrevista’ oferece risos medianos amparados por seus dois protagonistas simpáticos”, resume o Rotten Tomatoes, site que compila críticas do mundo todo. A média de “A entrevista” é de 50% de aprovação. Já no Metacritic, que tem o mesmo perfil, o filme teve pontuação 52 de 100.

O site do “Guardian” pega mais pesado e classifica o filme para apenas pessoas que gostam de piadas com genitálias: “25% de piadas sobre pênis; 25% de piadas sobre ânus”. O G1 selecionou críticas de alguns dos principais sites de jornais e revistas. Leia abaixo:

“The Guardian”: “Não é tão engraçado – a menos que você realmente curta piadas sobre genitálias. Um monte de celebridades fazem ponta, incluindo: Eminem, Joseph Gordon-Levitt, Bill Maher, Seth Meyers. Além da premissa – matar o líder da Coreia do Norte –, não há muito material com o propósito de zombar do país. Nesse sentido, o principal alvo são jornalistas de TV estúpidos. Os criadores do filme amam artistas de hip-hop e Katy Perry. Dá a impressão de que as referências a ‘O senhor dos anéis’ não vão acabar nunca. E aqui vai uma divisão percentual aproximada do conteúdo do filme, feita em parceria com minha colega Kayla Epstein: 5% de pontas com celebridades; 25% de piadas sobre pênis; 25% de piadas sobre ânus; 2% de referências a ‘O senhor dos anéis’, muito depois de isso ter perdido a validade; 20% de sexismo; 3% de Jonah, da série ‘Veep’; 5% de citações constrangedoras de hits do top 40; 10% de sotaques ‘engraçados’; 10% de Seth Rogen encarando com olhos tristes um helicóptero.” (Lanre Bakare, editor e correspondente nos Estados Unidos)

“Rolling Stone”: “No fim das contas, ‘A entrevista’ atinge o ponto ideal de divertimento atrevido e sátira afiada, porque Franco e Rogen são fod***mente hilários e destemidos, eles querem ir para as cabeças. É o jeitinho americano. Rogen e Goldberg poderiam ter nos livrado e toda a confusão se mudassem o nome de Kim e o transformassem num ditador fictício dedicado à destruição dos direitos humanos? Talvez. Mas vale a pena lutar por esse instinto de tentar qualquer coisa para provocar gargalhadas e dar um chute no traseiro de ditadores. Dane-se o Kim se ele não consegue lidar com uma piada.” (Peter Travers)

“Variety”: “O único cinema que estava passando ‘A entrevista’ perto da casa da minha família em Fresno, na Califórnia, fica a 40 milhas de distância. Tentei arrastar meus pais junto comigo, mas eles não estavam no clima para uma viagem de férias. Em vez disso, assistimos a uma versão em on-line da comédia por US$ 6. E conseguimos ver mais cedo, porque a Sony Pictures estreou a versão doméstica um dia antes do limitado lançamento de Natal nos cinemas. Minha mãe assistiu por 10 minutos antes de desaparecer para terminar as tarefas de feriado. ‘Quem quer salmão?’, ela perguntou, interrompendo uma sequência de piadas sobre pênis e ânus nesta sátira proibida para menores que é sobre dois jornalistas americanos (James Franco e Seth Rogen) recrutados pela CIA para assassinar o líder da Coreia do Norte, Kim Jung-um. Quando voltou para o último ato do filme, ela imediatamente caiu no sono no sofá. Mas meu pai ficou acordado, rindo muitas vezes – para imenso desconforto de minha parte – das diversas gags rudes. ‘A CIA deveria ter impedido o lançamento deste filme’, brincou ele em certo momento. ‘Ele faz com que os agentes pareçam pior do que a Coreia do Norte’”. (Ramin Setoodeh, editor de cinema)

Slate: “Ainda assim, dê ao filme o crédito por efetivamente zombar de um ditador que certamente merece. ‘A entrevista’ pode não ter sucesso como uma verdadeira comédia, mas consegue arrancar o couro de Kim Jong-un, particularmente na entrevista que está no clímax do filme (‘Porque você não dá comida para seu povo?’, Dave pergunta ao vivo em rede nacional) e na morte dele no final. (Aquela mesma cena que você viu na internet.) Então, o filme tem a disposição e a coragem para isso, ao menos. Mas se você prefere a zoeira com ditador servida num prato mais elegante e inteligente, você provavelmente deveria fazer o que todo mundo vem fazendo e rever ‘Team America – Detonando o mundo’”. (Aisha Harris)

“Los Angeles Daily News: “Infelizmente, me entristece informar que ‘A entrevista’ não é muito engraçado. Já que eu tenho defendido muitas vezes o talento limitado, mas divertido de Seth Rogen e sua exagerada sensibilidade de ‘bromance’, fico triste em dizer que o filme não tem o tipo de graça que você (agora) espera de um lançamento tão árduo. Não é realmente inteligente, tampouco para um cara cujos últimos dois filmes eram semi-inspirados no apocalipse (‘É o fim’) e fraternidades falsas (‘Vizinhos’), ‘A entrevista’ é uma decepção preguiçosa e mal orientada.” (Bob Strauss)

“The Washington Post“: “Esqueça [a pergunta]: ‘É engraçado?’. A questão agora é: ‘Valeu a pena?’. ‘A entrevista’, uma comédia genial, ocasionalmente incisiva e no geral desleixada sobre um jornalista babaca encarregado de assassinar Kim Jong-un, jamais deveria ter chegado tão longe. Um dos vários filmes que estreiam no Natal, ele é direcionado exclusivamente aos fãs do humor oferecido por Seth Rogen e de seu parceiro habitual, James Franco – um humor que geralmente gira em torno de festas, sexo, flertes no estilo ‘bromance’ entre os dois e atrair espectadores que não conseguem resistir aos encantos que vão do fato de os dois serem perdedores, azarados e adoravelmente estúpidos.” (Ann Hornaday)

ABC News: “‘A entrevista’ é extremamente medíocre, e isso vindo de um fã dos filmes anteriores de Franco e Rogen, como “É o fim”. A cena de abertura, uma entrevista entre um apresentador pateta de talk show, Dave Skylark, e o astro do rap Eminem – interpretando uma versão de si mesmo – é o destaque cômico do filme. O problema é que, quando isso acaba, ainda temos cerca de uma hora e 47 minutos para preencher e há mais confusões do que acertos.” (David Blaustein)

“The Wall Street Journal”: “Randall Park faz de um jeito engraçado o jovem ditador, interpretando-o como alguém inseguro e desesperado para agradar os outros: ‘Eu estou apenas tentando fazer o meu melhor’, diz Kim a Dave [papel de James Franco] depois de lhe dar um cachorrinho fofo de presente. Mas Franco quer tão descaradamente garantir que a gente entenda que ele está sendo engraçado, coisa que ele não é, e o roteiro como um todo tranforma uma premissa satírica – ou pelo menos farsesca – em uma bobice que azeda. No mundo real, vem sendo travado um debate sobre o que constitui e o que não constitui tortura. Quanto ao filme, não há debate; assistir a ‘A entrevista’ é uma tortura quase do começo ao fim”. (Joe Morgenstern)

Deadline: “É um filme terrivelmente estúpido, e, por estúpido, eu não quero dizer um bom estúpido, do tipo que faz você rir com tanta força que se esquece de estar envergonhado. ‘A entrevista’ é tão encharcado de um fracasso transpirado que ninguém vê-lo por razões de patriotismo deve ser saudado.” (Jeremy Gerard)

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