10 dicas para ser mais criativo

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Gabriela Mateos, no Hypescience

Bater na madeira, acender e apagar a luz três vezes, tomar 3 xícaras de café, alongar o pescoço, dar três pulinhos… Você até pode ter seu ritual antes de começar um trabalho que exija toda sua criatividade, mas eu vou adiantar uma coisa: não adianta. A criatividade não vem de uma luz divina, ou de um lapso isolado de inspiração.

Ela vem de uma rotina consistente. Como disse o filósofo Voltaire, “a criatividade é como a barba. Você só a terá se deixá-la crescer”.

Para que você estabeleça sua própria rotina criativa, nada melhor que ouvir conselhos de algumas pessoas que se destacam quando o critério é essa habilidade. A seguir, você vai ver o que alguns empresários, pesquisadores e criativos têm a dizer sobre suas rotinas e porque elas fazem toda a diferença no processo criativo de cada um deles.

Elas não são uma regra absoluta. Mas são alguns rituais que, da mesma forma como funciona com eles, podem fazer toda a diferença no seu dia a dia.

10. Tire férias trimestralmente

Tirar uma semana de folga a cada três meses é um ritual que Brad Feld, da Venture Capital, não abre mão. Nessa uma semana, ele e a esposa vão para o aeroporto e escolhem um lugar para visitar. Ele deixa o computador em casa e entrega o celular na mão da esposa já antes de embarcar – e o acordo é que ela devolva o aparelho só no fim da viagem. O critério para a escolha do lugar é que seja um destino que os ajude a relaxar e passar um tempo juntos.

Em geral, ele usa o tempo para ler um livro, conversar muito com a esposa, se divertir com muitas opções de entretenimento adulto, e dormir até tarde todos os dias. E ele garante: “Sempre que eu volto de uma viagem dessas, me sinto renovado”.

9. Faça uma retrospectiva ao final de cada trabalho

O diretor de tecnologia da campanha presidencial do presidente Barack Obama, Harper Reed, ressalta a importância de fazer uma retrospectiva ao final de cada projeto, para ver por uma outra perspectiva quais foram os erros e acertos, quais foram os pontos positivos e negativos e, principalmente, o que podemos aprender com tudo o que foi feito.

Porque é aquela coisa: às vezes a gente acerta, às vezes gente erra. Mas sempre a gente aprende alguma coisa. Então, ao finalizar qualquer ideia, reúna todos os envolvidos e solte perguntas como: “O que fizemos certo? O que fizemos de errado? O que podemos melhorar nos próximos projetos?”.

8. Escreva todos os dias

A escritora estadunidense best-seller Cheryl Strayed fala sobre a importância de escrever diariamente: “Eu sempre recomendo a escrita como uma ferramenta de autodescoberta, porque me ajudou muito. Eu mesma uso a escrita de diferentes maneiras: escrevo como artista, mas também escrevo quando estou apenas tentando trabalhar com algo ou tomar uma decisão difícil. E eu acho que, muitas vezes, até mesmo as pessoas que não são escritoras deveriam escrever em momentos de crise. Isso é porque é uma maneira de praticar essencialmente seus pensamentos e ver o que está lá dentro da sua cabeça”.

Então se force a escrever para desembaraçar seus pensamentos. Numa dessas, você encontra uma linha de pensamento absolutamente inusitada, criativa e que estava ali o tempo todo bem debaixo do seu nariz.

7. Crie um “acervo de pessoas interessantes”

Seja qual for a sua área de atuação, é muito importante ter a quem admirar, ou conhecer o trabalho de pessoas que você julga excepcionais. É como estabelecer um norte para o lugar que você quer chegar.

O escritor e empresário Ben Casnocha, por exemplo, faz questão de investir em seu “acervo de pessoas interessantes”. Segundo ele, ter esse acervo é uma estratégia de otimização de tempo. Investir seu tempo para conhecer pessoas interessantes aumenta a sua probabilidade de chegar lá também.

Fora isso, tem a questão de fazer contatos também. Especialmente em longo prazo, ter esse acervo é fundamental.

6. Tenha folhas em branco por perto para se soltar

Quando você estiver em um beco sem saída em um raciocínio, ou não souber nem por onde começar, deixar sua mão fluir livremente em algumas folhas em branco.

Porque há pelo menos uma vez em qualquer projeto que essa hora do “empacamento” chega. Então, o que fazer para conseguir voltar a desenvolver as ideias e criar alguma coisa legal? Fique longe do computador e da correria do dia a dia. Mesmo que seja só por 10 minutos. Quando você descansar sua mente, as ideias virão quase que naturalmente.

Outra boa ideia é ter toneladas referências guardadas, como objetos dimensionais, folhas avulsas de revistas, convites para eventos que você achou com uma ideia legal, uma embalagem bonita, ou apenas alguma coisa que te inspire.

A designer Sarah Foelske, por exemplo, tem alguns livros que não são categorizados por nada, mas são cheio de obras visuais, que geralmente alimentam seu cérebro e fomentam novas ideias.

5. Tire sonecas todos os dias

Faça questão de tirar uma soneca. Todos os dias. Isso ajuda você a descansar a cabeça e deixar todas as ideias livres para se conectarem entre si.

Você também tem que aprender a dizer não. Abdicar das suas horas de descanso saudável, seja para o seu trabalho ou algum compromisso social, é prejudicial.

Resista aos convites tentadores. Sua criatividade agradece.

4. Sonhe com as coisas pelas quais você quer ser lembrado

É aquela coisa de saber onde você quer chegar e desejar isso com todas as suas forças. E, claro, trabalhar todos os dias para que elas aconteçam de verdade. Simon Mottram, que é fundador da Rapha (uma marca internacional de roupas para ciclistas), disse que levava esse ritual tão a sério que frequentemente escrevia artigos de revistas falsos para turbinar a motivação diária.

“Uma coisa que eu costumava fazer era escrever matérias falsas para o ‘Financial Times’ ou artigos do ‘Wall Street Journal’, sobre a empresa que eu teria no futuro. Assim, você pode dizer: ‘Isso é o que estamos tentando alcançar’. Eu escrevi um para a Rapha no início de 2005, quando tínhamos chegado a cerca de sete ou oito meses de empresa”.

Nesses artigos, ele falava sobre a Rapha revolucionando o mercado de bicicleta e levando mais pessoas a descobrir corridas de estrada como um estilo de vida. Ele falava sobre 25.000 clientes Rapha reunidos na Rapha Café, que vão para passeios juntos, sendo todos parte de um clube. Cinco anos depois, a forma como ele descreveu o negócio se tornou realidade e muitos daqueles sonhos foram alcançados.

3. Faça brainstorms no bar

O designer James Victore faz o seu trabalho de pensar no bar e seu “trabalho-trabalho” no estúdio: “Eu faço todos meus esboços em papel, e não no estúdio. Eu vou a um bar ou um restaurante. Quando eu fiz o meu livro, eu saía do estúdio todos os dias e ia para o parque me sentar relaxado por uma hora, hora e meia. Eu tenho uma ideia, e a escrevo em um caderninho. Então eu a levo para o estúdio e trabalho nela durante o dia. Posteriormente, em 4 ou cinco horas, eu vou para o meu bar, sento com uma cerveja ou duas, e começo a refiná-la. Ou escrever sobre uma nova ideia”. E assim ele criou um hábito de sucesso.

2. Vá para a rua

Tudo é uma questão de fazer parte do “mundo observável”. É um consenso entre os criativos que uma pessoa não deve se sentar e olhar para uma página em branco por horas e horas e deixar aquela agonia de não saber o que fazer tomar conta. Uma maneira de contornar isso é andar por aí com papel de rascunho nas mãos fazendo anotações despretensiosas, apenas relatando observações do mundo ao seu redor. Afinal, a base de qualquer criação é o mundo observável.

Há um monte de conversas ao nosso redor que poderiam ser ouvidas e inspirar suas criações, mas você está trancado em um escritório esperando uma nova ideia sempre das mesmas fontes.

Não parece muito esperto, não?

1. Tenha um relacionamento sério com perguntas

O artista e cineasta nova-iorquino Ze Frank tem um método de brainstorming bastante interessante que gira em torno de fazer perguntas a respeito do trabalho que ele tem em mãos. Trate-se de uma forma de tentar segmentar seu processo de pensamento em partes. Você toma 4 a 5 adjetivos ou características de um produto, por exemplo, e, em seguida, elabora perguntas em torno delas.

Vamos supor que a Procter&Gamble tem um novo papel higiênico. Se você está tentando gerar ideias para um comercial sobre esse produto, a primeira coisa que você faria seria elaborar perguntas periféricas a respeito do produto. Como, por exemplo: o que acontece se você não tem papel higiênico? O que acontece se você tem muito, muito muito papel higiênico? Qual é o tipo de papel higiênico que você nunca iria usar? Como seria um incrivelmente grande papel higiênico? Como seria alguém que nunca usa papel higiênico? Como seria alguém que usa constantemente? O que você pode fazer com 10 mil rolos de papel higiênico? Como seria um mundo sem papel higiênico?

Então você vai atrás das respostas até que algo interessante apareça.

É um exercício muito interessante na medida em que te obriga a explorar os limites das coisas e, consequentemente, te leva a pensamentos inusitados, diferentes e criativos.

 

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