Doença no coração teria influenciado composições de Beethoven

 

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Publicado em O Globo

Se o músico compõe sua obra com o coração, isso não poderia ser mais verdadeiro para um dos maiores pianistas da História, Ludwig van Beethoven. Uma pesquisa publicada na revista “Perspectives in Biology and Medicine” mostrou que o compositor alemão deixava transparecer em suas músicas os ritmos oriundos de sua arritmia cardíaca.

Os cientistas argumentam que, por ser surdo, Beethoven teria desenvolvido uma sensibilidade superior aos demais. E as vibrações que sentia do ritmo cardíaco irregular poderiam ser literalmente o “coração” de suas obras-primas.Algumas deficiências de saúde do compositor, incluindo a sua surdez progressiva, já foram bem estudadas ao longo do tempo.

No entanto, outros problemas médicos, como a causa de sua morte, ainda não estão claros. Os autores do novo estudo reavivaram especulações de que Beethoven sofria de arritmia cardíaca por conta das condições que foram atribuídas a ele por seus contemporâneos.

A doença faz com que os batimentos do coração sejam muito rápidos, muito lentos, ou obedeçam um ritmo irregular. Na época do músico, em meados do século XIX, não havia testes disponíveis para diagnosticar a condição. Por isso, os pesquisadores usaram sua música como ferramenta na busca de pistas. Eles olharam para os padrões rítmicos de várias composições, e descobriu que repentinas mudanças, inesperadas, e a tonalidade na música de Beethoven parecem corresponder a esses padrões assimétricos.

No último movimento do Quarteto de Cordas de Beethoven em B bemol maior, Opus 130, por exemplo, o tom de repente muda para C bemol maior. O ritmo desequilibrado que segue evoca uma falta de ar, o que pode estar associado a arritmia. Já abertura da Sonata para piano n.º 26 em Mi bemol maior, Opus 81a, tem um padrão rítmico pontilhado e irregular de duas notas curtas outra mais longa.

Instruções de Beethoven para músicos que desejavam tocar suas peça incluem a palavra “beklemmt”, que em alemão significa “peso de coração”. No entanto, a expressão também tem outras conotações, incluindo a sensação de estar preso ou espremido, algo sentido por pacientes que sofrem de arritmia, de acordo com os pesquisadores.

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