Governadora de Roraima, Suely Campos nomeia 12 parentes

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José Marques, na Folha de S.Paulo

A governadora Suely Campos (PP), de Roraima, nomeou ao menos 12 parentes para o secretariado. São irmãos, primos, duas filhas e sobrinhos da nova governadora que estarão na chefia de pastas como Casa Civil, Saúde, Educação e Infraestrutura.

A própria Suely concorreu à eleição após o ex-governador Neudo Campos (PP, 1995-2002), com quem é casada, renunciar à disputa em 12 de setembro, após ser barrado pela Lei da Ficha Limpa.

Ao ser eleita, a pepista afirmou que Neudo seria o chefe da Casa Civil –no entanto, a sua filha Danielle Araújo foi nomeada para o cargo.

Oficialmente Neudo não participa da gestão, embora a governadora também tenha dito na campanha que ele seria seu “conselheiro”.

Outra filha do casal, Emília Campos, será secretária de Trabalho, e a secretária-adjunta será sua nora, Lissandra Campos. A titular de Educação será Selma Mulinari, sua irmã. A Agricultura estará sob os cuidados de Hipérion de Oliveira, seu primo.

No Estado, o salário de um secretário é de cerca de R$ 23.000 e de um secretário-adjunto é de R$ 16.000.

O Ministério Público do Estado pediu que a governadora, sob pena de adoção de medidas judiciais, exonere os seus parentes.

Para a Promotoria, são 15 os familiares contratados: além dos 12 citados, também foram nomeados a sogra, o cunhado e a concunhada de Emília Campos, a filha.

Em nota, o governo de Roraima diz que a escolha obedece a critérios “técnicos, de confiança e comprometimento” e que não viola súmula do Supremo Tribunal Federal que trata de nepotismo.

Juristas consultados pela Folha afirmam que, para cargos do primeiro escalão, o STF permite a nomeação de parentes. “É imoral, antiético e coronelista, mas não é ilegal”, disse um magistrado que preferiu não se identificar.

Nas redes sociais, o próprio vice-governador, Paulo Cesar Quartiero (DEM), criticou a gestora. Ele disse que “não participou da escolha dos secretários e demais dirigentes da administração estadual” e replicou notícias em que afirmava que, com as nomeações, “uma oligarquia” permaneceu à frente do Estado.

OUTRO LADO

O governo diz em nota que nomeou os secretários por “critérios técnicos, de confiança e de comprometimento com as ações” do governo e que está em “conformidade com o princípio da legalidade”. “Os secretários de Estado são considerados agentes políticos e não agentes administrativos, estando isentos do alcance da norma que veda a nomeação de parentes”, afirma o comunicado.

O informativo afirma que os subsídios do governador e secretários foram instituídos por decreto da mesa da Assembleia na gestão anterior.

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