O pulso ainda pulsa

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Fabricio Cunha, no Facebook

Das coisas que já fiz na minha vida curta, depois de três filhos, viajar foi a mais fantástica de todas elas.

Não viajar por turismo, para conhecer lugares. Mas o viajar com significado e significância. O viajar com uma mochila cheia de coisas que deixei por onde passei e o voltar com a mochila cheia de outras coisas que trouxe de onde passei.

Histórias, pessoas, observações, contextos, realidades, tudo muito diverso, rico e único. Isso é o que me motiva a querer voltar a viajar em 2015.

Levar o pouco interessante que sei e receber o muito relevante dos lugares e pessoas que ainda não conheci.

Isso me motiva muito e alimenta meu otimismo, que nunca nem chegou na reserva.

Mas, confesso-me, também, mais cansado um pouco.

Ainda não cheguei nos 40. Mas já baixei muitas portas na vida.

Acho que peguei o final de uma geração com algum resquício de ideal e rebeldia que transcendessem o consumo, a estética imposta e a auto ajuda.

Se a natureza matre da juventude é a rebeldia contra o senso comum, qual o lugar do jovem numa sociedade sem senso comum ou com um senso comum tão disforme que não se sabe contra o que lutar ou, pior, com um senso comum tão latentemente incrustrado nas cabeças juvenis, que não têm interesse em lutar por nada, que não por si mesmos???

Quem não concorda com nada, acaba aceitando tudo. Porque quem não concorda com nada, não faz nada contra o que não concorda.

O mercado de consumo tira o tempo dessa juventude de fazer qualquer outra coisa que não seja o correr atrás de seus sonhos pessoais, onde por “sonhos”, entenda-se alguma coisa que se vê, se toca e se consome. E tudo o que se vê, se toca e se consome, também se perde, se esvai…

A estética imposta faz com que o maior investimento das pessoas seja naquilo que fará com que ela pareça o que quer que as outras pessoas pensem dela, o que também chamamos de reputação.

A auto-ajuda é a procura por qualquer lógica e informação que me projetem a um nível de vida de autocontentamento independente do outro e do mundo, que me auxilie a conseguir o que eu quero sem pensar que isso pode prejudicar alguém.  Que me alivie de qualquer culpa e, por consequência, me ajude a passar de forma superficial pelas relações humanas, uma vez que a profundidade, por natureza, oferece riscos e demanda entrega.

Então, o que é que eu tenho a dizer???

Não tenho pretensão e nem calibre pra sequer sofrer da “síndrome de messias”, mas também não consigo conviver bem com a realidade de que qualquer resquício de ideologia foi colocado no muro de fuzilamento e já estamos prestes a apertar o gatilho, todos nós…

E essa rebeldia da molecada é muito calculada, tem a medida de seus próprios interesses babacas.

Me perdoem. Eu disse lá em cima que sou otimista. E sou, acho…

Não sei se ainda tem alguém interessado em meus palpites ideológicos, estéticos e sócio culturais, mas, o que me salva, é que eu ainda tenho interesse em conhecer pessoas, ouvir histórias, andar por lugares e compartilhar um pouco do que vi, ouvi, sofri e aprendi nessa vida estranha, nesse mundo louco.

Já até recebi alguns convites, pra desespero dos mais tradicionalmente rigorosos…

A verdade é que “o pulso ainda pulsa” e, enquanto me derem fôlego, vou querer contar algum causo e ouvir alguma história, conhecer alguém novo, n’algum novo lugar e sentar com os velhos amigos, nos mesmos lugares de sempre.

Não sei se estou ficando mole, bobo ou sábio. Mas sei que aguardo com muito interesse o que está por vir em 2015.

Então, que venha…

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