Jovens de SP têm até aulas para realizar sonho de virar MC

Virar um MC de sucesso substituiu o sonho de ser jogador de futebol na periferia. Na busca pelo estrelato, jovens têm até aulas para se tornar um profissional do funk

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Publicado no G1

Uma vez por semana, jovens de todas as regiões de São Paulo e região metropolitana se reúnem em uma casa no Centro da capital. Alguns decidiram faltar ao trabalho. Muitos têm que pedir o dinheiro “da condução” emprestado. Em comum, todos têm o sonho de estourar como MC de funk.

O ritmo representa hoje o que um dia já foi o futebol na periferia: a chance de se tornar famoso e ganhar dinheiro.

Os encontros começaram há um ano e meio, e são feitos pela Liga do Funk. Segundo um dos fundadores, Marcelo Rocha Anastácio, conhecido como Galático, a ideia partiu da “necessidade de atuar e politizar os jovens, de formar e dar uma opção que eles não têm na periferia”. Ele toca o projeto com outras pessoas.

No local, eles têm gratuitamente aulas de canto e postura de palco, além de receber orientações na parte burocrática da carreira, como o registro de músicas. Cada encontro reúne aproximadamente 150 pessoas, a maioria, homens. Com dois anos de existência, a Liga do Funk está com quase 15 mil associados, segundo Galático.

No final de cada encontro acontece a “cadeira elétrica”. Nela, um MC de sucesso ou uma personalidade se senta na frente de todos os participantes da liga para uma “entrevista”. O convidado desta vez é o MC Menor da VG.

A “cadeira elétrica” já recebeu o hoje ministro da Cultura, Juca Ferreira, e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Eles responderam a questões sobre preconceito ao funk e políticas de incentivo para a cena.

O adolescente Gabriel Emeliano, de 14 anos, do Itaim Paulista, na Zona Leste, escolheu como nome artístico MC Gah. “Eu comecei a cantar funk porque via vários MCs ganhando dinheiro e eu vim de uma família pobre, ainda sou pobre”, conta o jovem.

“Até para vir aqui é meio difícil. Gasto R$ 15, minha mãe tira o dinheiro de alguma conta, ou senão peço emprestado”. Se ficar famoso, Gabriel contou que irá comprar uma casa para a mãe.

Segundo pessoas do mercado, um MC conhecido ganha de R$ 15 mil a R$ 25 mil por cada show que realiza em São Paulo. Muitos fazem mais de uma apresentação por noite.

Moisés Victorino Ferreira, de 30 anos, vindo de Guarulhos (SP), escolheu a sua alcunha de MC porque subia nas árvores para pegar pipa e os amigos da rua lembraram do macaco do desenho “Aladin”. MC Abu conta que canta por diversão, “para transmitir alegria”, mas que também pensa no dinheiro.

“É todo mundo pobre que está nessa batalha de conquistar. É isso que a gente foca, sucesso e dinheiro e muita felicidade em fazer aquilo que eu gosto, que é cantar funk”, explica.

Quem também usou o apelido de infância como nome artístico foi Letícia Leite, de 19 anos, de Guarulhos, a MC Kakau. Seu estilo no funk é o melody. “Eu levo como influência várias cantoras, como Anitta, Ludmilla e Beyoncé”, conta.

Kakau disse que se sente privilegiada de ser uma das poucas mulheres que cantam funk. “Quem canta esse estilo são poucas, mas ‘representamos’ no que a gente faz”. Em suas músicas, ela contou que faz letras sobre as mulheres “para nos valorizarmos”, e também compõe algumas músicas dançantes.

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Comentários

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1 Comentário

  1. Matheus disse:

    Eu moro em Brasília como virar mc

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