Ex-paquito adota 17 crianças na África e conta como superou a prostituição e as drogas: “Me arrependo de muitas coisas”

Alexandre Canhoni e seus filhos no Níger (foto: Arquivo Pessoal)

Alexandre Canhoni e seus filhos no Níger (foto: Arquivo Pessoal)

Bruno Astuto, na Época

Com seu franjão loiro, Alexandre Canhoni, o Xand, foi um dos paquitos mais cobiçados por toda uma geração que cresceu assistindo ao Xou da Xuxa. Ele era o vocalista do grupo de assistentes de palco da apresentadora, e, mesmo com o fim do programa, em 1992, chegou a lançar um disco solo e encenou uma peça com Ana Paula Arósio. Xand diz que a fama, no entanto, subiu à cabeça e que usou drogas e se prostituiu. “Me arrependo de muitas coisas, principalmente da maneira como eu via o público, que para mim era só um número. Eu era interesseiro, não considerava as pessoas”.  Há 14 anos, ele se mudou para o Níger, na África, um dos países mais pobres do mundo, onde vive com a mulher, Giovana. O casal adotou 17 crianças. Bem longe dos holofotes, o ex-paquito está à frente de quatro creches e projetos sociais de nutrição. “Tenho contato direto com pessoas que vivem em condições extremas, expostas a muitas situações de risco. Mas minha motivação é ajudar as crianças que conheci aqui”.

Como você foi parar no Níger, o país mais pobre da África?

Foi uma decisão totalmente minha. Posso dizer que fui levado a tomar esta decisão. Em 2001, eu tinha o desejo de conhecer o país mais pobre do mundo e tive a oportunidade de fazer uma viagem para conhecer o Níger. Desde então, a minha motivação foi ajudar as crianças que conheci aqui.

Como é viver tão próximo da miséria depois de ter tido dinheiro e fama?

É realmente muito difícil. Aqui, tenho contato direto com as pessoas que vivem em condições extremamente difíceis, e que são expostas a muitas situações de risco.

Arrepende-se de ter sido paquito?

Sim, principalmente porque tudo o que eu fazia era pensando só em mim mesmo. Fico pensando em quanto tempo perdi na minha vida pensando só em mim, desperdiçando dinheiro e comida. Eu me arrependo de muitas coisas. Por exemplo, da maneira como eu via o público, que para mim era só um numero. Eu era muito interesseiro e me arrependo muito disto, não considerava as pessoas. Não poderia citar tudo aqui, mas posso dizer que estou feliz e realmente me sinto realizado com a vida que tenho hoje.

Arrepende-se de ter usado drogas e ter se prostituído?

Claro que sim. Com certeza, me arrependo, e muito. Não é uma fase de que eu tenha orgulho. Como disse, me arrependo de muitas coisas.

Alexandre Canhoni na época em que era o paquito Xand (ao centro) (foto: Arquivo Pessoal)

Alexandre Canhoni na época em que era o paquito Xand (ao centro) (foto: Arquivo Pessoal)

Como foi o processo até você virar pastor?
Na verdade, ser ou não pastor, não faz de alguém mais ou menos pecador. Pequei muito em toda a minha vida, mas quando me encontrei houve uma transformação, que me fez entender sobre o pecado, arrependimento e transformação. Não posso dizer que não peco, porque muitas vezes faço aquilo que não queria fazer, mais não amo mais o pecado e o pecado não domina mais a minha vida.

Você vive com os 17 filhos que adotou?

Sim, para os 17, tento fazer o meu melhor: dou conselhos, casa, comida, escola, e tudo que tiver ao meu alcance para ensiná-los a serem homens respeitáveis e terem um futuro digno. Mas meus filhos não são só esses 17. Na verdade, considero muito mais do que estes, porém não tenho condições de ter uma casa para todos que considero. Tento ajudar mesmo aos que não tenho a guarda.

Como sua mulher lida com a vida no Níger?

Sou casado há 14 anos, minha esposa está ao meu lado em tudo que tenho plantado aqui no Níger. Ela é um presente de Deus para mim, e dividimos os mesmos sentimentos de amor, cumplicidade e compromisso. Tudo o que acontece aqui é 50% eu e 50% ela.

Como funciona o seu projeto social?

São diversos projetos diferentes. Atualmente, temos quatro creches para crianças necessitadas (totalmente gratuitas, com cerca de quase 200 crianças atendidas pelas creches); além de 12 projetos de nutrição, futebol, apadrinhamento de crianças, e formação para mulheres. Recentemente, houve uma onda de violência, vandalismo e roubo, que destruiu nossos projetos e a minha casa. Não imaginávamos jamais que isso poderia acontecer. Destruíram e roubaram tudo que puderam roubar, e queimaram o restante. Até alimentos foram queimados. Algumas mulheres que vivem em ocas em frente ao projeto chegaram a desmaiar de desespero, e muitas pessoas disseram que a raiva deles era tamanha. O extremismo destroi o ser humano.

Pensa em voltar ao Brasil?

Não tenho uma data prevista para voltar a morar definitivamente no Brasil, mas sei que se um dia eu voltar e farei viagens esporádicas para visitar minha família que está aqui no Níger.

Não pensa em pedir ajuda a Xuxa?

Os artistas nunca me ajudaram.

Qual o teu maior sonho hoje?

Meu grande sonho está sendo realizado aos poucos, vivendo cada dia como se fosse o último dia, com intensidade e procurando fazer o bem para os outros. Meu sonho é ver a vida destas pessoas transformadas. Sonho que meus filhos sejam obedientes e que possam se casar e ter filhos que tragam alegria para eles.

Alexandre Canhoni no Níger (foto: Arquivo Pessoal)

Alexandre Canhoni no Níger (foto: Arquivo Pessoal)

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