Prefeita sanciona lei que cria ‘Dia Municipal da Esposa do Pastor’ e gera polêmica em MG

Prefeita publicou foto da Assembleia de Deus, após ser homenageada pela igreja Foto: Reprodução / Facebook

Prefeita publicou foto da Assembleia de Deus, após ser homenageada pela igreja Foto: Reprodução / Facebook

Publicado no Extra

Um projeto de lei aprovado no dia 10 de março pelos vereadores da Câmara Municipal de Coronel Fabriciano, em Minas Gerais, gerou polêmica na pequena cidade de cerca de 100 mil habitantes. A vereadora Andréia Botelho (PSL) conseguiu, com unanimidade, aprovar o PL 2.559/2015, que estabelece que o dia 3 de março passa a ser oficialmente o “Dia Municipal da Esposa do Pastor”. A ideia não agradou parte da cidade, que reclamou, principalmente na internet, sobre a nova data comemorativa. Apesar da resistência, a prefeita Rosângela Mendes (PT) sancionou a lei, alegando que ela “não é inconstitucional”.

Em nota, a prefeitura de Coronel Fabriciano diz que a lei foi sancionada após análise da procuradoria-geral do município, “que não detectou nenhum vício de formalidade”. A prefeita, por meio de assessoria de imprensa, ressaltou que “respeita todas as religiões, mas que o fator fundamental para a sanção da lei foi a legalidade da matéria, bem como o seu reconhecimento à autonomia e independência do Poder Legislativo”.

Para aprovar o projeto, Andréia, que é evangélica, usou o argumento de que é preciso reconhecer a dedicação “daquela que defende e apoia a vida com Deus ao lado de seu esposo”. A data foi escolhida de propósito: a vereadora queria que o “Dia da Esposa do Pastor” fosse comemorado no mesmo mês em que é celebrado o “Dia Internacional da Mulher”.

vereadora Andréia Botelho, autora do projeto de lei que cria o Dia Municipal da Mulher do Pastor Foto: Reprodução / Facebook

vereadora Andréia Botelho, autora do projeto de lei que cria o Dia Municipal da Mulher do Pastor Foto: Reprodução / Facebook

No Facebook, Andréia Botelho publicou uma nota oficial, após uma enxurrada de críticas, explicando que a data é uma forma de homenagem e que não vai gerar gastos aos cofres do município. “Trata-se de uma homenagem às esposas de pastores da cidade, tão importantes no meio evangélico, do qual faço parte. A prova maior de que a matéria não lesa o patrimônio público municipal é que a mesma é constitucional e foi aprovada por unanimidade pelo parlamento fabricianense, independentemente da coloração partidária”, escreveu Andréia, que ainda se defende do que considera uma perseguição: “Estão querendo induzir as pessoas de bem contra mim em razão do trabalho voluntário que realizo na cidade, por meio do Projeto Social de nossa autoria, que tão bem atende aos mais necessitados”.
Apesar das explicações, as críticas continuaram. “O Dia Internacional da Mulher existe pra quê? Por que a mulher do pastor é diferente das mulheres de tantos outros profissionais, como a mulher do pedreiro, polícia, mecânico, médicos, dentistas, enfermeiro, lixeiro e outras tantas?”, questionou uma internauta. Pouco tempo depois, a vereadora impediu que seguidores que não fossem seus “amigos” comentassem em suas publicações.

A prefeita Rosângela Mendes foi homenageada na igreja da qual a vereadora Andréia Botelho faz parte Foto: Reprodução / Facebook

A prefeita Rosângela Mendes foi homenageada na igreja da qual a vereadora Andréia Botelho faz parte Foto: Reprodução / Facebook

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