Marco Feliciano sai em defesa de Levy Fidelix: ‘Vivemos a ditadura gay’

Feliciano e Levy Fidelix: deputado federal mostrou apoio a colega Foto: Reprodução do Facebook

Feliciano e Levy Fidelix: deputado federal mostrou apoio a colega Foto: Reprodução do Facebook

Publicado no Extra

O deputado federal e pastor Marco Feliciano (PSC-SP) saiu em defesa do ex-candidato à Presidência da República Levy Fidelix, condenado em primeira instância a pagar uma multa de R$ 1 milhão por danos morais por uma fala homofóbica durante um debate na TV. Em seu perfil no Facebook, Feliciano postou uma foto ao lado do fundador do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) e escreveu um texto no qual diz que torcerá para que colega seja inocentado em outra instância. O deputado federal diz ainda que “vivemos a ditadura gay”.

Leia a íntegra do texto do deputado federal:

“Este senhor, cidadão de bem, pai, avô, tem meu respeito e minha admiração.
Levy Fidélix foi processado e condenado a pagar uma multa de 1 milhão de reais por expressar seus pensamentos, ainda cabe recurso, e vou torcer para que ele seja inocentado em outra instância.
Vivemos a ditadura gay, venho falando sobre ela desde 2011. Sem haver no código penal o crime por homofobia, Levy foi condenado, imaginem se homofobia estivesse tipificada no código penal… Pastores e padres não poderão mais pregar em seus púlpitos o que a Bíblia diz ser pecado.
Se Levy Fidelix for condenado em todas as instâncias, criar-se-a a jurisprudência sem que haja necessidade da lei aprovada. Assim como foi no caso da união estável e civil entre pessoas do mesmo sexo.
Oremos!”

A postagem de Feliciano logo provocou reações. “Sou gay… casado… bem-sucedido e muito FELIZ… Deus me abençoa todos os dias. Minha família me ama… Tenho uma familia de BEM …Vocês dois pregam a discórdia… e JAMAIS me representam”, disse um homem. Uma mulher também comentou: “Senhor Feliciano, não vivemos uma ditadura Gay, vivemos num mundo diverso e essa diversidade exige respeito…”.

Uma mulher que se identificou como evangélica também deixou sua opinião: “Sou evangélica e devo discordar disso. Ele pode ser pai de família, um homem honesto e etc, mas não devemos convencer alguém do cristianismo com pedras e sim com amor. Ele sempre foi muito duro nas palavras e achou a encrenca que procurou. A Bíblia diz que o povo de Deus sofre por falta de sabedoria e é exatamente o que está acontecendo com o Levy”.

Condenação e recurso

Fidelix foi condenado, na última sexta-feira, pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a pagar a multa de R$ 1 milhão numa ação civil pública por danos morais movida pelo movimentos Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT). Em 28 de setembro de 2014, quando participava de um debate na TV, ao ser questionado sobre o motivo de pelo qual muitos dos que defendem a família se recusam a reconhecer o direito de casais de pessoas do mesmo sexo ao casamento civil, ele respondeu que “dois iguais não fazem filho” e “aparelho excretor não reproduz”.

Na ocasião, Fidelix ainda comparou a homossexualidade à pedofilia, afirmando que o Papa Francisco vinha promovendo ações de combate ao abuso sexual infantil, afastando sacerdotes suspeitos da prática. O candidato teria afirmado ainda que o mais importante é que a população LGBT seja atendida no plano psicológico e afetivo, mas “bem longe da gente”. O Tribunal de Justiça de SP considerou as declarações do então candidato à presidência haviam “ultrapassado os limites da liberdade de expressão, incidindo em discurso de ódio”.

Em entrevista nesta terça-feira, Fidelix afirmou que recorrerá da condenação:
– Multar em R$ 1 milhão, com base em quê? Ela se baseou no Código de Defesa do Consumidor. Eu sou consumidor ou fornecedor de alguma coisa? Estou sendo enxovalhado, porque estão cobrando um valor por uma ofensa que não existiu.

Polêmica

As declarações de Levy Fidelix durante o debate causaram fortes reações e repercussão internacional. “Aparelho excretor não reproduz (…) Como é que pode um pai de família, um avô ficar aqui escorado porque tem medo de perder voto? Prefiro não ter esses votos, mas ser um pai, um avô que tem vergonha na cara, que instrua seu filho, que instrua seu neto. Vamos acabar com essa historinha. Eu vi agora o santo padre, o papa, expurgar, fez muito bem, do Vaticano, um pedófilo. Está certo! Nós tratamos a vida toda com a religiosidade para que nossos filhos possam encontrar realmente um bom caminho familiar”, afirmou à época.

No Twitter, a hashtag #LevyVoceENojento chegou ao topo dos Trending Topics no Brasil. O britânico “The Guardian” também criticou as declarações do então candidato. Fidelix só ganhou apoio de políticos assumidamente conservadores e também alvos de polêmicas, como o deputado federal Jair Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia.

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