Estado civil influencia vontade de praticar exercícios

Rotina de exercícios do parceiro também pode influenciar (foto: Getty Images)

Rotina de exercícios do parceiro também pode influenciar (foto: Getty Images)

Gretchen Reynolds, no The New York Times [via UOL]

Um cônjuge influencia os hábitos de exercícios do outro, para o bem ou para o mal, mais do que se costuma reconhecer, segundo um novo estudo dos hábitos de ginástica de casais de meia-idade. Esse estudo constatou que mudanças na rotina de um dos cônjuges costumam ecoar na do outro, salientando até que ponto nosso comportamento nesse setor é modelado pelas intenções pessoais e pelos indivíduos ao nosso redor.

Ao estudar por que as pessoas se exercitam ou não, os cientistas costumam se concentrar –compreensivelmente– na psicologia individual e em situações. Porém, cada vez mais pesquisadores que estudam a ginástica também procuram fatores mais amplos que possam exercer influência, incluindo nossos relacionamentos sociais e se ser solteiro, casado, não ter filhos ou estar empregado tem chances de afetar o comportamento ligado ao ato de se exercitar.

Os resultados de estudos anteriores sobre o tema foram alternadamente previsíveis e surpreendentes. Mulheres e homens solteiros, por exemplo, costumam se exercitar muito mais do que pessoas casadas, embora o divórcio possa mudar isso. Geralmente, os homens se exercitam mais depois que o casamento termina; as mulheres nessa situação tendem a malhar menos. Homens com emprego, até mesmo se for num escritório, costumam se exercitar mais do que os que estão desempregados.

Já ter filhos resulta no maior efeito negativo no tempo dedicado aos exercícios. Em uma série de estudos, cientistas constataram que mães se exercitam muito menos do que as mulheres sem filhos, embora frequentemente realizem atividades mais leves, tais como cozinhar, limpar a casa e correr atrás de crianças voando pela casa. Pais costumam se exercitar o tanto quanto antes de ter o primeiro filho, mas quando o segundo nasce, eles vivenciam um declínio rápido e significativo no tempo formal dedicado a malhar.

De forma surpreendente, no entanto, havia poucos estudos de como o casamento afeta o exercício nos anos posteriores ao crescimento das crianças e, principalmente se e como as mudanças na rotina de exercícios de um cônjuge nesse instante afetam a do outro.

Assim, para o novo estudo apresentado neste mês durante reunião da Associação Americana do Coração, em Baltimore, pesquisadores da Universidade Johns Hopkins e de outras instituições se voltaram aos dados do Estudo do Risco de Aterosclerose em Comunidades, que inclui respostas a questionários de saúde de milhares de norte-americanos de meia-idade. A maioria dos participantes respondeu várias vezes, começando no final da década de 80.

Os pesquisadores procuraram dados relacionados ao exercício de 3.261 casais casados, saudáveis e com média de idade de 55 anos, sendo que cada um deles preencheu os questionários ao menos duas vezes, com um intervalo de quase seis anos entre as respostas. Como referencial, os pesquisadores se concentraram no fato de se, segundo o primeiro questionário, cada marido ou esposa seguiu a recomendação padrão de se exercitar para aprimorar a saúde, com 30 minutos de atividade moderada pelo menos cinco vezes por semana. Os casais casados eram formados por homem e mulher.

Então os cientistas determinaram se cada um dos cônjuges havia alterado seus hábitos de exercícios entre os questionários, e se a rotina de ginástica do casal convergira ou se afastara durante esses anos.

O que eles descobriram foi que os exercícios dos casais mais velhos costumavam se tornar notavelmente similares nessa fase da vida.

Se a mulher seguia a recomendação padrão de se exercitar durante o primeiro questionário e o marido não, ele apresentava uma probabilidade 70% maior de seguir as recomendações seis anos mais tarde do que os homens cujas esposas não se exercitavam muito, desde que a mulher continuasse a malhar regularmente.

Igualmente, se um marido seguia as recomendações durante o primeiro questionário e a esposa não, ela apresentava uma probabilidade 40% maior de segui-las alguns anos depois do que as mulheres cujos maridos eram e continuavam a ser sedentários.

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