Médicos tendem a ter menos cuidado com pessoas mais atraentes

Psicólogas reúnem uma série de estudos sobre as vantagens e desvantagens de ser belo(a)

Branca de Neve sentiu na pele os lados bom e ruim da beleza

Branca de Neve sentiu na pele os lados bom e ruim da beleza

Publicado em O Globo

A linda Branca de Neve sofre nas mãos da madrasta por conta de sua beleza, mas é salva por um lindo princípe encantado. Como na vida ficção, na vida real, ser muito bonito (a) tem suas vantagens e desvantagens, especialmente quando se recebe tratamento médico. Ao tratar pacientes com dor, os médicos tendem, por exemplo, a ter menos cuidado com pessoas atraentes. Essa foi uma das descobertas das psicólogas Lisa Slattery Walker e Tonya Frevert, da Universidade de Carolina do Norte, em Charlotte, nos Estados Unidos. As duas vasculharam décadas de pesquisas sobre as vantagens e desvantagens atreladas à beleza e chegaram a conclusões surpreendentes, divulgadas pela “BBC” internacional.

Na educação, por exemplo, a dupla encontrou vários estudos mostrando que os alunos com melhor aparência, na escola e na universidade, tendem a ser julgados por professores como sendo mais competentes e inteligentes – e isso se refletiu nas notas que lhes foram dadas. E aí, há um efeito cumulativo ao longo dos anos, explica Frevert: “Você se torna mais confiante e têm crenças mais positivas e mais oportunidades para demonstrar sua competência.”

No local de trabalho, o seu rosto realmente pode ser um trunfo. As pessoas mais atraentes tendem a ganhar mais dinheiro e a subir mais alto na escada corporativa do que pessoas que são consideradas menos agradáveis aos olhos. Um estudo com formandos de MBA descobriu que havia cerca de 10 a 15% de diferença entre os rendimentos de pessoas mais e menos atraentes do grupo, o que chegava a cerca de 230 mil dólares ao longo de uma vida.

Mesmo nos tribunais, uma aparência agradável pode ter sua magia. Réus atraentes são suscetíveis a obter sentenças mais brandas ou até escapar inteiramente da condenação; já autores atraentes são mais propensos a ganhar o caso e a obter maiores vantagens financeiras.

Mas nem tudo são flores, e a beleza pode ser prejudicial em determinadas situações. Enquanto os homens atraentes podem ser considerados melhores líderes, por exemplo, há preconceitos sexistas implícitos contra o trabalho de mulheres atraentes, que são menos propensas a ser contratadas para trabalhos de alto nível que exigem autoridade. Um estudo descobriu ainda que, se você é entrevistado por alguém do mesmo sexo, esta pessoa pode ser menos propensa a recrutá-lo se julgar que você é mais atraente do que ela.

O mais preocupante, no entanto, é que a beleza pode interferir no tratamento médico. Tudo porque nós tendemos a associar boa aparência à saúde, o que significa que as doenças são muitas vezes levadas menos a sério quando elas afetam pessoas bonitas. Por isso, os médicos tendem a ter menos cuidado com o tratamento para dor em pessoas mais atraentes.

E a beleza pode até gerar solidão. O site de namoro online OKCupid informou recentemente que as pessoas com belas fotos de perfil são menos propensas a encontrar parceiros do que aquelas com semblantes mais sutis, com fotos menos perfeitas – talvez porque os interessados se sintam menos intimidados.

Frevert e Walker fazem questão de ressaltar que, como nossas concepções de beleza, essas influências são superficiais e de nenhuma maneira estão profundamente enraizadas em nossa biologia. Em certo sentido, é apenas um atalho cognitivo para uma avaliação rápida.

Então, como você deve ter adivinhado, ser bonito não é um passaporte para a felicidade certa – embora ajude.

 

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