Evangélico é acusado de explorar índios e fazer proselitismo

Segundo Ministério Público, missionário manteve 96 indígenas em condições análogas à escravidão no Pará

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José Marques, na Folha de S.Paulo

Um missionário evangélico foi denunciado pelo Ministério Público Federal em Santarém (PA) porque, impossibilitado de pregar para os índios da etnia zo’é no território da tribo, convenceu parte deles a ir à fazenda de um amigo para orarem e, ao mesmo tempo, trabalharem na colheita de castanha.

Em troca, os zo’é ganhavam panelas, roupas velhas, redes e outros utensílios.

Segundo a Procuradoria, o religioso, Luiz Carlos Ferreira, e o dono do castanhal, Manoel Oliveira, mantiveram 96 indígenas em condição análoga à escravidão, com o agravante de terem cometido crime contra os costumes previsto no Estatuto dos Índios.

Ferreira é acusado de praticar “proselitismo religioso”, o que violaria o direito à “manutenção de culturas próprias”. A Justiça ainda não aceitou a ação.

O missionário evangélico é dissidente da Missão Novas Tribos do Brasil, que, embora tenha descoberto os zo’é nos anos 1980, foi expulsa pela Funai da tribo em 1991. O órgão federal afirma que o grupo, além de tentar impor a cultura cristã, trouxe doenças aos nativos.

A tribo zo’é é considerada de recente contato, que ainda cultiva tradições e tem dificuldades em se comunicar em português.

Sua principal característica é uma madeira que usam na altura do queixo.

A discussão sobre a presença dos missionários na tribo virou um imbróglio jurídico e foi parar no Supremo Tribunal Federal, que decidiu em favor da Funai.

Após a expulsão do grupo evangélico, Ferreira passou a fazer parte da Igreja Batista. O Ministério Público, porém, alega que ele, extraoficialmente, ainda é membro da missão e chegou a erguer uma capela na fazenda.

“Havia um acordo do missionário com o castanheiro. Os índios eram trazidos para a colheita e viravam alvo fácil para o missionário”, diz o procurador Luís de Camões Boaventura, autor da ação.

O Ministério Público foi provocado após vistoria da Funai que afirma ter encontrado os zo’é em barracões precários, com pouca comida, bebendo água contaminada por fezes de porcos e sem atendimento médico.

IMPACTO RELIGIOSO

Apesar disso, os índios voltaram ao local ano a ano, nos três meses da colheita. Em três vistorias, feitas entre 2010 e 2012, foram encontrados membros da tribo no castanhal. E a desconfiança é que a prática se repetia há algum tempo.

Para o coordenador da Funai que cuida de índios isolados e de recente contato, Carlos Travassos, a dupla se aproveitou da “falta de conhecimento dos zo’é sobre os nossos códigos sociais”.

Ele diz que o órgão condena o “proselitismo religioso” porque pode haver “impacto negativo” para as tribos.

Comentários

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1 Comentário

  1. Chicopete disse:

    Esta raça de víboras pseudo-religiosas, está pribida de frequentar nossas tribos aqui no Pará. O que desejamos é o retorno e a preservação dos costumes e rituais indigenas em nossas nações.

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