“Melhor rock nacional atual é gospel”, diz Guilherme Arantes

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Publicado no UOL

Um dos maiores hitmakers de sua geração, Guilherme Arantes comemora 40 anos de carreira em 2015.  Como poucos artistas nacionais, o cantor e compositor construiu, já na década de 70, uma ponte entre o popular e o sofisticado, o rock e a mpb, os pobres e os ricos.

“A jovem guarda foi um dos meus modelos e ensinou que é importante ser popular e atravessar transversalmente a sociedade, estourar no povão”, conta, em entrevista exclusiva à Rádio UOL.

Prestes a fazer três shows em São Paulo entre dias 17 a 19 de abril, no SESC Pompéia, Guilherme relança a faixa “Sonho Latino”, cuja versão original saiu em 1992, no álbum “Crescente”. Com um novo arranjo em que se destaca o cravo, instrumento renascentista antepassado do piano, a regravação será o bônus na versão em vinil de seu mais novo álbum “Condição Humana”, lançado em 2013.

O cantor está animado com a edição no formato analógico. “CD é uma b****. Na época o som digital parecia perfeito, mas hoje com o ouvido mais apurado eu consigo perceber a má qualidade. O vinil nacional era muito mal fabricado, misturavam asfalto no material. Hoje é ótimo”

Outro destaque da nova versão de “Sonho Latino” é a participação de Cláudio Lucci nos violões. Parceiros antigos, Guilherme e Cláudio fizeram parte da banda de rock progressivo Moto Perpétuo, que lançou um único álbum em 1974.

Tocar numa banda de rock foi o que levou Guilherme Arantes a optar por seguir carreira solo no pop. “Ter banda é um pesadelo, uma dinâmica muito estranha, muita briga, para mim foi um saco pilotar um grupo” diz. “O rock é tipicamente engessador e o próprio público, aquele bando de machão de camisa preta e barbichinha é um bando de idiotas. (…) Hoje em dia o melhor rock feito no Brasil é gospel. O ‘rockão’ ficou muito reacionário, você vê que muitos roqueiros hoje são de direita. O rock atual perdeu totalmente a força de transgressão”.

Guilherme encontrou a solução no grande público, em programas de auditório. “O auditório é a verdade do país. Eu era bonitinho, então fui para o Raul Gil, para o Chacrinha e ali eu estava livre daquela carga da banda de rock”.

Da geração clássica do rock nacional dos anos 80, Guilherme considera que “o que ficou de melhor foram os gays. Renato Russo, Cazuza, pessoas que atravessaram o histrionismo machista e reacionário”.

Sobre o cenário atual, Guilherme também não poupa outros estilos: para ele o sertanejo é fruto do agronegócio e o Axé, do Carlismo na Bahia. Já o o pagode e o funk são, segundo ele, movimentos autênticos que se garantiram por si só.

Mantendo a polêmica, o autor de “Planeta Água” garante que a canção é apenas uma ode ao elemento e não tem relação direta nenhuma com a crise hídrica que tem aterrorizado os paulistanos. Ainda assim, o público sedento da cidade terá a oportunidade de vê-lo contar a história deste e outros sucessos durante os shows do SESC Pompéia.

Parte do projeto Sala de Estar – em que os artistas escolhem um repertório exclusivo apresentado em clima intimista – as apresentações serão permeadas por pequenas narrativas em que Guilherme contará histórias sobre suas músicas e influências.

dica do Rogério Moreira

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