Intolerância religiosa reduz chances no mercado de trabalho

A muçulmana Flávia Lopes é professora de História e não fala sobre religião com os alunos (foto: Marcelo Theobald)

A muçulmana Flávia Lopes é professora de História e não fala sobre religião com os alunos (foto: Marcelo Theobald)

Mariana Moreira, no Extra

A escolha de credo, um critério que não deveria ser considerado durante a busca por uma vaga no mercado, tem sido levada em conta pelas empresas na hora da contratação. A afirmação foi feita pela analista de Recursos Humanos da agência Simetria, Cristiane Fernandes, na terça-feira, durante um debate na Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), que reuniu diversos segmentos religiosos. Segundo a especialista, por lei, as empresas não podem perguntar a religião de candidatos em formulários de recrutamento de vagas, mas a prática é comum em entrevistas.

— É um preconceito velado. Mas o nosso papel é o de selecionar sempre o melhor funcionário para a vaga, independentemente da religião ou etnia — disse a analista, no encontro promovido pela organização Expo Religião, em parceria com o Centro de Promoção da Liberdade Religiosa & Direitos Humanos (Ceplir), ligado à secretaria.

Segundo o documento que a secretaria entregará ao Ministério Público do Trabalho, até sexta-feira, 80% das pessoas de religiões de matriz africana no país sofrem sanções no mercado de trabalho. Logo atrás delas, vêm as mulheres muçulmanas, com 70%. Uma das denúncias do relatório mostra que este grupo só tem conseguido trabalhar como atendente de telemarketing.

— Elas têm denunciado que preenchem várias fichas, mas só são chamadas para esta função, sem contato direto com o público — afirma Luzia Lacerda, da Expo Religião.

O assunto é delicado até mesmo para quem ensina o próprio tema, caso da professora de História Flávia Lopes.

— Uso o lenço em sala, mas não falo sobre a minha religião, por causa do preconceito e dos questionamentos.

Cláudio Nascimento, superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos da secretaria ressaltou a importância da atuação da pasta no acompanhamento de ameaças sofridas por religiosos.

— Vamos criar campanhas de conscientização e políticas que assegurem a liberdade — afirmou.

Analista de Recursos Humanos da agência Simetria Cristiane Fernandes diz que a intolerância afeta outras crenças

— Também temos relatos de profissionais já foram discriminados e questionados no ambiente corporativo porque foram trabalhar na sexta-feira de roupa branca. Cor muito comum usada por quem pratica religiões africanas.

Papiaõn Karipuna, Flávia Costa Lopes e Joelma Lisboa lutam pela igualdade (foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo)

Papiaõn Karipuna, Flávia Costa Lopes e Joelma Lisboa lutam pela igualdade (foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo)

dica do Emerson Bahia

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